Brasil cai em ranking de percepção da corrupção

Foram avaliados 180 países, segundo a Transparência Internacional; em 2019, país manteve-se no pior patamar da série histórica.

Política / 15:41 - 23 de jan de 2020

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O Brasil ocupa a 106ª posição no ranking de percepção da corrupção elaborado pela organização não governamental Transparência Internacional, em uma lista de 180 países avaliados. Em 2018, o Brasil estava em 105º lugar, após cair nove posições naquele ano. A pontuação manteve-se, no entanto, em 35 pontos de um ano para o outro, em uma escala de 0 a 100. Quanto mais perto de 100, menos o paísé considerado corrupto.

O índice é feito a partir de levantamentos e pesquisas de 12 instituições de credibilidade internacional, como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e a fundação alemã Bertelsmann Stiftung.

Os países com melhor colocação no ranking foram a Nova Zelândia e a Dinamarca, ambos em primeiro lugar, com 87 pontos. Albânia, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Macedônia e Mongólia ficaram empatados com o Brasil, todos com 35 pontos.

Nas Américas, a pontuação média ficou em 43 pontos, com Canadá e Uruguai com 77 e 71 pontos respectivamente, no topo da classificação regional. O Haiti, com 18 pontos, e a Venezuela, com 16, foram os países mais mal avaliados entre os 32 analisados no índice.

Para o coordenador de pesquisa da Transparência Internacional, Guilherme France, a queda do Brasil no ranking está relacionada a retrocessos sofridos ao longo do último ano.

"Embora a gente sempre advogue por reformas e por melhorias, o que nós tivemos no último ano foram ataques a instituições que já estavam colocadas, leis que já estavam vigentes, sendo respeitadas há anos", enfatizou.

Entre os problemas, ele destaca a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que, em julho de 2019, suspendeu as investigações de processos baseados em dados fiscais repassados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

"A própria paralisação das atividades do Coaf e do compartilhamento de informações financeiras é absolutamente inédita se considerarmos que a lei de lavagem de dinheiro é de 1999. Desde 1999, as informações vinham sendo compartilhadas normalmente", destacou.

Os ataques à atividade jornalística também estão entre os fatores que, na avaliação de France, vão contra os avanços no combate a corrupção no país.

Pelo lado do Congresso Nacional, o especialista criticou as mudanças nas regras eleitorais aprovadas no último ano.

"A reforma eleitoral aprovada para as eleições de 2020 trouxe regras ainda mais brandas, abrindo lacunas e possibilidades para que os partidos e candidatos cometam mais fraudes, dificultando a fiscalização por parte dos órgãos de controle", ressaltou.

Para melhorar o combate a corrupção no país, France defendeu que sejam feitas mudanças no sistema de financiamento de campanhas. Ele sugere "uma reforma do sistema de financiamento político, que é chave para a maioria dos esquemas de corrupção que nós vimos nos últimos anos".

Na opinião do especialista, também é necessário estabelecer regras claras para a relação de empresas com parlamentares e membros do Executivo.

"A regulamentação do lobby, que é a participação das empresas que nós vimos tentando influenciar os tomadores de decisão. Tornar esse processo mais transparente, mais aberto e mais equilibrado”.

Os 35 pontos da nota brasileira equivalem ao valor mais baixo desde 2012 , ano em que o índice passou por alteração metodológica e passou a permitir a leitura em série histórica.

A escala do IPC vai de 0 a 100, na qual 0 significa que o país é percebido como altamente corrupto e 100 significa que o país é percebido como muito íntegro.

No último ano, movimentos anticorrupção espalhados pelo mundo todo ganharam impulso, com milhões de pessoas se juntando para se manifestar contra a corrupção presente em seus governos.

Desde a América Latina, o Norte da África e o Leste Europeu até o Oriente Médio e a Ásia Central, protestos ganharam as manchetes, com cidadãos marchando em Santiago, Praga, Beirute e em diversas outras cidades, para expressar sua frustração nas ruas.

Quer seja por causa de fraudes ocorridas nos mais altos postos de governo, quer seja por pequenos subornos que bloqueiam o acesso a serviços públicos básicos, como saúde e educação, os cidadãos estão cansados de líderes e instituições corruptas. Esse sentimento fomenta uma crescente falta de confiança no governo e acaba por minar a confiança da população nas lideranças políticas, nos representantes eleitos e na democracia.

"O atual estado da corrupção em vários países aponta a necessidade de maior integridade política. Para que haja alguma chance de se cercear a corrupção, os governos precisam fortalecer os freios e contrapesos, limitar a influência do dinheiro na política e garantir ampla participação nos processos de tomada de decisão. Políticas e recursos públicos não devem ser determinados pelo poder econômico ou pela influência política, mas sim por consultas íntegras e alocações orçamentárias imparciais", diz o relatório da Transparência Internacional.

 

Com informações da Agência Brasil

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