BC decide subir juros para 21% ao ano

Opinião do Analista / 13:42 - 15 de out de 2002

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Numa atitude no mínimo inusitada, o Banco Central promoveu anteontem uma reunião extraordinária do seu Comitê de Política Monetária (Copom) e resolveu subir a taxa básica dos juros de 18% para 21% ao ano. O anúncio de que haveria tal reunião deixou o mercado financeiro em polvorosa logo pela manhã e as expectativas eram de que o BC estava preparando um choque de juros para tentar conter a trajetória de alta da moeda norte americana. Afinal, parecia não fazer muito sentido convocar os membros do Copom para uma reunião fora da agenda (uma vez que a reunião ordinária seria na semana que vem) para subir alguns pontos percentuais na taxa básica. Mas, para surpresa geral, foi exatamente o que se fez. Os três pontos percentuais a mais na taxa anual básica significa 0,25% a mais na taxa mensal, ou seja, não faz muita diferença no custo de se carregar posições compradas em moeda estrangeira. Daí porque esta elevação dos juros não teve como objetivo reverter a trajetória de alta do dólar. Na verdade, demonstrou uma atitude passiva do BC perante esta escalada: o Copom assumiu que a alta do dólar é um movimento não temporário mas permanente, calculou quanto isto elevará a inflação esperada para 2003 e subiu a taxa de juros para fazer a convergência desta em direção ao ponto central da sua meta como reza a cartilha do sistema de metas de inflação, adotado no Brasil desde 1999. Sob este ponto de vista o BC agiu rigorosamente de acordo com a regra de política monetária que pratica. Mas algo ficou estranho: se era para somente ajustar a taxa de juros em relação à trajetória da inflação futura, de 2003, ou seja, algo que somente irá se materializar por completo ao final do próximo ano, porque o BC não esperou para fazer isto na reunião ordinária do Copom marcada para semana que vem? Se o próprio BC diz que o tempo entre a alteração nos juros e os reflexos finais na inflação demoram de seis a nove meses para acontecer, qual é a diferença de se mexer nos juros na segunda ou na terceira semana de outubro de 2002 quando o que está em jogo é a inflação de todo o ano de 2003? Ficou a impressão de que a reunião extraordinária do Copom foi convocada com a intenção de se dar um tranco nos juros mas, na última hora, se arrependeram. Luiz Rabi Economista-chefe do BicBanco.

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