BC acerta ao reduzir Selic para 7% ao ano, aponta Fecomércio-SP

Conjuntura / 07 Dezembro 2017

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), o Banco Central acertou ao reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto porcentual (p.p.), passando de 7,5% para 7% ao ano. Essa é a oitava redução consecutiva, só possível porque a atividade econômica ainda é mais baixa do que períodos pré-crise e inflação abaixo das expectativas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano ao redor de 2,8% e há a previsão de que para 2018 fique abaixo de 4% (menos que o centro da meta). Para a assessoria econômica da Fecomércio-SP, diante dessa constatação, as taxas de juros podem cair mais um pouco e fazer com que em 2018 a média da Selic seja a menor da história. Nesse cenário, com a Selic até abaixo de 7% em média em 2018 e com a inflação a mostrar sinais de convergência para um patamar entre 3,5% e 4%, o Brasil atingirá uma taxa de equilíbrio dos juros reais de 3% a 3,5%, o que é ainda elevado diante de taxas internacionais, porém, muito mais razoável do que ocorria no país ao longo de duas décadas do Plano Real.

Segundo a Federação, o BC tem se pautado em argumentos técnicos, com foco no ambiente político e os seus efeitos sobre a economia e sobre os mercados e faz política monetária olhando não apenas para a inflação presente e acumulada, ou somente para a taxa de desemprego e nível de atividade instantâneo, mas considera também as projeções futuras, os juros do mercado financeiro e o risco percebido pelos investidores. Como mostraram os dados do PIB do terceiro trimestre de 2017, tudo indica que o cenário é de recuperação, mas gradativa e lenta, o que possibilita a manutenção do ritmo de queda de juros sem colocar em risco as metas de inflação deste ano e do próximo.

A Federação ainda ressalta que toda essa expectativa pode ser revertida, dependendo do ambiente político em 2018. O tema mais relevante neste momento é a aprovação da Reforma da Previdência, sem a qual se espera uma deterioração da economia no longo prazo e uma reversão da curva descendente dos juros.

 

Para Associação Comercial de SP, o BC tomou atitude correta

Já Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), comemora a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de cortar a taxa básica de juros (Selic) em meio ponto percentual.

- O Banco Central tomou a atitude mais correta; ela se justifica plenamente porque a inflação está até abaixo do limite inferior da meta. O próximo passo agora é recuperar a produção e o emprego.

Para o ano que vem, ele espera que, quando o Congresso aprovar a reforma previdenciária, o BC faça uma ou duas reduções na taxa Selic.

 

Força Sindical defende queda mais acentuada na taxa de juros

Em nota assinada por seu presidente Paulo Pereira da Silva, o deputado Paulinho da Força (SD-SP); e pelo secretário-geral João Carlos Gonçalves, Juruna, a Força Sindical "lamenta, e considera extremamente tímida, a queda de apenas 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros. Entendemos que, com esta queda 'contagotas', o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade para promover uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no país. Mais uma vez o Banco Central frustra os anseios dos trabalhadores. Vale destacar que juros altos sangram o país e inviabilizam o desenvolvimento. O pagamento de juros, por parte governo, consome e restringe consideravelmente as possibilidades de crescimento do país, bem como os investimentos em educação, saúde e infraestrutura, entre outras demandas. Geração de empregos com mais renda, transporte de qualidade e moradias dignas só serão possíveis com juros em patamares baixos."