Bayer e Monsanto se fundem em gigante mundial na agricultura

Mercado Financeiro / 10:29 - 14 de set de 2016

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A alemã Bayer e a americana Monsanto anunciaram hoje que assinaram um contrato de fusão definitiva sob o qual a Bayer vai adquirir a Monsanto por US$ 128 por ação em uma operação à vista. O Conselho de Administração da Monsanto, o Conselho de Administração da Bayer e o Conselho Fiscal da Bayer aprovaram o contrato por unanimidade. Com base no preço de fechamento das ações da Monsanto em 9 de maio de 2016, dia anterior à primeira proposta feita por escrito pela Bayer à Monsanto, a oferta representa um prêmio de 44% sobre tal preço. - Temos o prazer de anunciar a combinação de nossas duas grandes organizações. Isso representa um grande passo para nosso negócio Crop Science e reforça a posição de liderança global da Bayer como empresa de Ciências da Vida, impulsionada pela inovação e que ocupa posições de liderança em seus principais segmentos, entregando valor substancial aos acionistas, clientes, funcionários e à sociedade em geral - disse Werner Baumann, CEO da Bayer AG. "O anúncio de hoje é prova de tudo que conseguimos realizar e do valor que criamos para os nossos stakeholders na Monsanto. Acreditamos que a fusão com a Bayer traz muito valor aos nossos acionistas, principalmente por conta da contraprestação à vista", disse Hugh Grant, presidente e CEO da Monsanto. A operação une duas empresas diferentes, mas altamente complementares. Os negócios combinados se beneficiarão da liderança da Monsanto em Sementes & Traits e de sua plataforma The Climate Corporation, bem como da ampla linha de produtos de Proteção de Cultivos da Bayer em uma abrangente gama de indicações e culturas em todas as principais regiões. Como resultado, os produtores serão beneficiados por um amplo conjunto de soluções que atenderão às suas necessidades atuais e futuras, dentre as quais soluções avançadas em sementes e traits, em agricultura digital e em proteção de cultivos. A combinação também reúne as capacidades líderes em inovação e as plataformas de tecnologias de P&D das duas empresas, com um orçamento anual proforma de aproximadamente 2,5 bilhões de euros em P&D. Em médio e longo prazo, a empresa combinada poderá acelerar a inovação e levar aos clientes soluções melhoradas e um conjunto de produtos otimizado baseado em insights agronômicos analíticos e apoiado por aplicações no campo da Agricultura Digital. Isso deve resultar em benefícios significativos e duradouros para os agricultores: de melhor abastecimento e mais comodidade a rendimentos mais altos, mais proteção para o meio ambiente e mais sustentabilidade. "O setor agrícola está no centro de um dos maiores desafios dos nossos tempos, que é alimentar, de forma ambientalmente sustentável, três bilhões de pessoas a mais no planeta em 2050. Ambas as empresas acreditam que esse desafio requer uma nova abordagem que integre, de forma mais sistemática, o conhecimento em Sementes, Traits e Proteção de Cultivos, incluindo Biológicos, com um profundo compromisso com a inovação e práticas de agricultura sustentável", disse Liam Condon, membro do Conselho de Administração da Bayer AG e Head da Divisão Crop Science. O faturamento proforma dos negócios agrícolas combinados foi 23 bilhões de euros no ano civil de 2015. A nova empresa estará bem posicionada para participar do setor agrícola com grande potencial de crescimento em longo prazo. Além do atraente potencial de criação de valor trazido pela fusão, a Bayer acredita que a operação trará aos seus acionistas um acréscimo de LPA (lucro por ação) básico no primeiro ano completo após o fechamento e um percentual de dois dígitos de acréscimo no terceiro ano completo. A Bayer confirmou os pressupostos das sinergias de faturamento e custos por meio de um procedimento de due diligence e acredita que haverá contribuições totais anuais ao EBITDA de cerca de US$ 1,5 bilhão após três anos, além de outras sinergias advindas de soluções integradas em anos futuros. A Bayer pretende financiar a operação por meio de uma combinação de dívida e capital. O componente de capital de cerca de US$ 19 bilhões deve ser captado por meio de uma emissão de obrigações conversíveis em ações e através de uma emissão de direitos com direito de subscrição. Um empréstimo-ponte no valor de US$ 57 bilhões está empenhado pela BofA Merrill Lynch, Credit Suisse, Goldman Sachs, HSBC e pela JP Morgan. A Bayer tem um histórico comprovado de desalavancagem disciplinada após grandes aquisições, e acredita que os fortes fluxos de caixa da empresa combinados ajudarão a melhorar seu perfil financeiro. A Bayer tem como meta uma classificação de grau de investimento após o fechamento, e seu compromisso é com uma classificação de categoria "A" em longo prazo. A aquisição está sujeita às condições habituais de fechamento, incluindo a aprovação dos acionistas da Monsanto em relação ao acordo de fusão e o recebimento das aprovações regulatórias necessárias. O fechamento deve ocorrer até o final de 2017. As empresas trabalharão de forma intensa com os reguladores visando garantir um fechamento bem-sucedido. Além disso, a Bayer está comprometida com uma taxa de ruptura reversa antitruste no valor de US$ 2 bilhões, reafirmando sua confiança de que ela obterá as aprovações regulamentares necessárias. O BofA Merrill Lynch e o Credit Suisse estão atuando como os principais consultores financeiros e bancos estruturantes para a Bayer, além de fornecerem o financiamento comprometido para a operação; a Rothschild foi contratada para atuar como consultor financeiro adicional para a Bayer. Os assessores jurídicos da Bayer são a Sullivan & Cromwell LLP (F&A) e a Allen & Overy LLP (Financiamento).

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