Bayer faz oferta de US$ 62 bi pela Monsanto

Empresas / 17:28 - 23 de mai de 2016

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Em resposta às especulações do mercado, a Bayer anunciou nesta segunda-feira que fez uma oferta em dinheiro para adquirir todas as ações ordinárias emitidas e em circulação da Monsanto por US$ 122 por ação, totalizando US$ 62 bilhões. Esta oferta, baseada na proposta feita à Monsanto por escrito pela Bayer em 10 de maio de 2016, representa um ágio substancial de 37% acima do preço de fechamento das ações da Monsanto, de US$ 89,03, em 09 de maio de 2016. “A aquisição da Monsanto seria uma excelente oportunidade para criar um líder global da agricultura, reforçando a Bayer como uma empresa de Ciências da Vida com uma posição de destaque em uma indústria em crescimento a longo prazo”, destacou a empresa em comunicado. A fusão deve proporcionar aos acionistas da Bayer um acréscimo de lucro por ação em torno de 5% no primeiro ano completo após o fechamento e um percentual de dois dígitos depois disso. Inicialmente, a Bayer acredita que as contribuições aos rendimentos anuais advindas das sinergias totais cheguem a aproximadamente US$ 1,5 bilhão após o ano III, acrescidos a isso os benefícios derivados da oferta integrada em anos futuros. “Respeitamos muito os negócios da Monsanto e compartilhamos de sua visão para criar um negócio integrado que acreditamos ser capaz de gerar valor substancial para os acionistas de ambas as empresas", disse Werner Baumann, presidente da Bayer AG. “Juntos, alavancaremos a experiência coletiva de ambas as companhias de forma a construir uma empresa líder na agricultura com capacidade de inovação excepcional para o benefício dos agricultores, dos consumidores, de nossos colaboradores e das comunidades onde operamos.”De acordo com a companhia, a combinação seria verdadeiramente complementar do ponto de vista geográfico, ampliando significativamente a presença de longa data da Bayer nas Américas e sua posição na Europa e na região Ásia/Pacífico. Os clientes de ambas as empresas se beneficiariam do amplo portfólio de produtos e do vasto pipeline em P&D. Sob a operação proposta, a empresa combinada ofereceria oportunidades atraentes para os colaboradores de ambas as companhias e teria sua sede global de Sementes & Traits e comercial norte-americana em St. Louis, Missouri, enquanto suas sedes globais de Crop Protection e de Crop Science em Monheim, Alemanha, além de uma presença importante em Durham, Carolina do Norte, bem como em muitos outros locais em todos os Estados Unidos e ao redor do mundo. A área de Digital Farming da empresa combinada seria sediada próximo a São Francisco, Califórnia. A Bayer está muito confiante em sua capacidade de financiar a operação com base em discussões avançadas com o apoio de seus bancos de financiamento, BofA Merrill Lynch e Credit Suisse. A oferta não está sujeita a uma condição de financiamento. A companhia alemã pretende financiar a operação por meio de uma combinação de dívida e capital. A parcela de capital esperada representa aproximadamente 25% do valor da operação, e deve ser angariada primariamente através de uma oferta de direitos. O BofA Merrill Lynch e o Credit Suisse estão atuando como os principais consultores financeiros da Bayer e apoiam o financiamento da transação; o Rothschild foi contratado para atuar como consultor financeiro adicional para a Bayer. Os assessores jurídicos da Bayer são a Sullivan & Cromwell LLP (M&A) e a Allen & Overy LLP (Financiamento).   Críticas A proposta, que poderia superar a fusão planejada entre as unidades agrícolas de Dow Chemical e DuPont, foi feita apenas três semanas depois de Baumann assumir como presidente-executivo da Bayer, e foi condenada por importantes acionistas da empresas com uma "tentativa arrogante de construir um império" quando a notícia surgiu na semana passada. “Nós esperamos uma resposta positiva do conselho de diretores da Monsanto”, disse Baumann a repórteres em uma teleconferência, descrevendo as críticas de alguns investidores como “reação ignorante na imprensa” estimulada pelo elemento surpresa. A compra da Monsanto, se concretizada, vai colocar a farmacêutica alemã no centro do lucrativo, mas socialmente polêmico, setor de produtos agrícolas geneticamente modificados. Os investidores da Bayer podem ser um obstáculo ao negócio, já que muitos deles investiram na empresa principalmente por causa da área farmacêutica e conhecem menos sobre o negócio agrícola e de produtos transgênicos, diz Markus Manns, gestor de fundos na firma alemã Union Investment, uma acionista da Bayer. “Não tenho certeza se gostamos dessa saída do [setor] farmacêutico”, diz Manns.

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