Advertisement

Bancos ficam com 14% do custo do crédito

Mercado Financeiro / 13 Junho 2018

Sem mudança feita pelo BC, lucros seriam correspondentes a 23%

O lucro dos bancos correspondeu a 14,04% do custo do crédito no ano passado. Além da margem financeira, os custos do crédito foram compostos por inadimplência (38,27%), despesas administrativas (25,55%) e tributos (22,13%), de acordo com dados divulgados pelo Banco Central.
Os percentuais ficaram praticamente estáveis em relação a 2016, quando o lucro respondeu por 14,41% do custo do crédito para o tomador, a inadimplência, por 38,57%, as despesas administrativas, 24,23%, e os tributos, 22,79%.
Houve uma mudança na metodologia do cálculo do custo do crédito. Com isso, o peso dos custos administrativos passou de cerca de 4% para 25%. Já a parcela do lucro dos bancos, que antes era de cerca de 23%, recuou para 14%.
Segundo o BC, anteriormente, subestimava-se o peso dos custos administrativos, ao subtrair as receitas com serviços prestados pelos bancos.
O BC acredita que a ampliação da concorrência poderia tornar os empréstimos mais baratos por meio da redução dos lucros. Para o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana, o custo do crédito no país precisa cair mais. Segundo ele, o “esforço” do Banco Central é para que essa redução seja feita de maneira “estrutural e sustentável”.
De acordo com o relatório do Banco Central, em 2016, o Brasil estava no grupo de países com os sistemas bancários mais concentrados, o que inclui Austrália, Canadá, França, Holanda e Suécia. Em todos eles, os juros são menores que aqui.
Viana destacou que o peso da inadimplência é elevado e para mudar isso é preciso melhorar as garantias dos empréstimos e investir em educação financeira. Não tocou no assunto de que os atrasos podem ser tão elevados porque os juros são muitas vezes superiores aos praticados em outros países.