Balança de outubro tem superávit com queda de 80,1%

A comercialização do aço semimanufaturado foi afetada pela queda dos preços internacionais.

Negócios Internacionais / 17:44 - 4 de nov de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O superávit no mês de outubro foi de US$ 1,206 bilhão, valor 80,1% inferior ao de igual período de 2018 (US$ 5,792 bilhões). A corrente de comércio brasileira alcançou valor de US$ 35,257 bilhões no mês, um recuo de 11,3%, pela média diária, em relação ao mesmo período do ano anterior. As exportações no mês chegaram a US$ 18,231 bilhões, retração de 20,4% em relação a outubro de 2018, e queda de 11,2% sobre setembro de 2019. Já as importações totalizaram US$ 17,025 bilhões, com aumento de 1,1% sobre igual período do ano anterior, e diminuição de 5,8% na comparação com setembro deste ano, sempre pela média diária.

Na avaliação do subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, a queda das exportações de petróleo bruto – fator que mais impactou no resultado da balança comercial do mês de outubro – é resultado do cenário internacional. “A desaceleração da economia mundial impacta fortemente as cotações de petróleo bruto e há uma queda internacional dos preços do produto. Isso, aliado a um crescimento um pouco mais lento da produção brasileira nos dois últimos anos, faz com que haja essa queda na exportação do produto”, afirma Herlon.

A comercialização do aço semimanufaturado brasileiro também foi afetada pela queda dos preços internacionais, assim como pela menor demanda do mercado norte-americano. Herlon Brandão também fez uma análise sobre a queda das exportações de soja em grão, diretamente afetadas pela redução do rebanho suíno chinês. “Há uma crise de demanda da China por conta de uma queda de produção suína. Estimativas apontam uma redução do rebanho suíno na China de até 45%, e a soja exportada ao país tem como destino a ração animal. Por isso, há impacto tanto no preço quanto no volume exportado do grão. Também há uma menor oferta brasileira. A safra deste ano é menor do que a do ano passado”, avaliou.

Outro importante bem exportado pelo Brasil sofreu impacto de fatores externos: os carros de passeio. Segundo Herlon, “70% da exportação brasileira se destina à Argentina e há uma projeção de queda de 3% do PIB do país, o que faz com que a demanda por esse bem reduza.”

As exportações de milho e carne bovina são destaque no ano e puxaram para cima o saldo da balança comercial. “O Brasil exportou 5 milhões de toneladas no acumulado do ano. Carne bovina também há um grande aumento de exportação”, afirmou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior.

No grupo dos básicos, sobre outubro de 2018, a redução das vendas ocorreu, principalmente, no petróleo em bruto (-51,7%, para US$ 1,601 bilhão); soja em grãos (-18,1%, para US$ 1,754 bilhão); café em grãos (-17,2%, para US$ 375 milhões); fumo em folhas (-16,9%, para US$ 210 milhões); minério de cobre (-13,4%, para US$ 210 milhões); carne de frango (-9,6%, para US$ 495 milhões); e minério de ferro (-9,5%, para US$ 1,961 bilhão).

Nos manufaturados, a balança teve recuo das vendas em máquinas e aparelhos para terraplanagem (-48,0%, para US$ 135 milhões); automóveis de passageiros (-41,8%, para US$ 215 milhões); polímeros plásticos (-32,1%, para US$ 113 milhões); suco de laranja não congelado (-29,8%, para US$ 101 milhões); autopeças (-29,6%, para US$ 140 milhões); e etanol (-28,7%, para US$ 106 milhões).

Já nos semimanufaturados, quando comparado com outubro de 2018, diminuíram as vendas. Principalmente. de semimanufaturados de ferro/aço (-62,9%, para US$ 317 milhões); óleo de soja em bruto (-59,8%, para US$ 22 milhões); madeira serrada ou fendida (-35,4%, para US$ 48 milhões); couros e peles (-34,2%, para US$ 83 milhões); e celulose (-15,4%, para US$ 507 milhões). No acumulado do ano, houve queda nas exportações de manufaturados (-10,1%, para US$ 64,196 bilhões), semimanufaturados (-6,9%, para US$ 23,774 bilhões) e básicos (-3,0%, para US$ 97,459 bilhões).

 

Comércio mundial: pior desempenho em 10 anos

O relatório Perspectivas do Comércio Internacional da América Latina e do Caribe 2019, divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), analisa a desaceleração do comércio internacional, suas causas e consequências para as economias da região. O estudo aponta que, em 2019, o desempenho do comércio mundial de bens pode ser o pior dos últimos dez anos. Para se ter ideia, em 2018, o comércio mundial de bens cresceu 2,7% e, em 2019, será de apenas 1,2%.

A forte desaceleração do comércio exterior se deve a diversas razões, segundo o documento. Entre elas, a menor demanda mundial; a crescente substituição das importações pela produção nacional em algumas economias, como a da China; a menor proporção da produção chinesa destinada à exportação; o declínio nas cadeias globais de valor e o surgimento de novas tecnologias.

O informe foi apresentado pela secretária-executiva da Cepal, Alícia Bárcena, no México. As tensões comerciais refletem, segundo a Cepal, a competição econômica e tecnológica entre a China e os Estados Unidos, e as crescentes críticas ao funcionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com a secretária, Estados e China começaram a se “desacoplar” e isso tem enormes impactos na economia mundial. A China já começa a substituir importações, o que significa que tem investido mais na produção de seus próprios bens intermediários, em vez de importar.

Há uma desaceleração do PIB mundial, exceto da Índia, que é a única economia que não desacelera. Em todo o resto do mundo, desacelera”, analisou Bárcena. No primeiro semestre deste ano, de acordo com a Cepal, o comércio intrarregional na América Latina foi muito afetado pelo baixo dinamismo econômico da região. As trocas no Mercosul e na Comunidade do Caribe registraram as maiores quedas, de 21,5% e 18,5%, respectivamente. A Cepal prevê que o valor das exportações intrarregionais diminua em 10% em 2019.

 

Brasil promove indústria de alimentos na China

O Brasil está preparando o que tem de melhor e mais abundante em sua indústria de alimentos e bebidas para conquistar o paladar do público chinês. O país, que foi homenageado na edição de 2018 da China International Import Expo, retorna à China em novembro de 05 a 10, no National Exhibition and Convention Center, Xangaipara “treinar o paladar” da população local para as iguarias brasileiras. O Brasil terá um estande nacional no evento, que além de mostrar a potencialidade do setor agrícola para a atração de investimentos estrangeiros, vai levar produtos como pão de queijo, mel, espumantes, açaí e outros para degustações e aulas exclusivas.

Sob responsabilidade da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o estande brasileiro tem espaço para divulgar as opções nacionais de atração de investimentos estrangeiros e local especial para receber 30 pessoas a cada aula-degustação. A exposição dos produtos ficará a cargo dos próprios empresários ou de representantes das empresas brasileiras em território chinês. Entre os produtos selecionados estão aqueles que mais têm aderência e abertura no mercado chinês e que o Brasil tem condição de oferecer em grande escala, dado o imenso público consumidor do país asiático.

O Brasil participa da CIIE neste ano para fortalecer sua imagem como parceiro comercial. O país aposta na articulação institucional para obter sucesso nesta edição do evento, notadamente nos produtos oriundos do agronegócio. Neste ano, a atenção especial vai para o alimento pronto para o consumo, tirando um pouco o foco da produção agrícola e priorizando a imagem de produtos que têm lugar à mesa. Por isso, o estande brasileiro vai sediar ações que possibilitem trabalhar os sentidos da visão, com imagens; e paladar, com as degustações; além de oferecer palestras que acontecerão durante todo o período da feira.

Todos os dias haverá apresentações sobre produtos típicos do Brasil presentes no evento, reforçando sua origem, qualidade e sustentabilidade. “A China é o principal parceiro comercial do Brasil e a presença do país na CIIE 2019 fortalece esse vínculo e a imagem do Brasil como parceiro internacional chinês. Além disso, o estande Brasileiro apresentará oportunidades novos negócios no país, mirando o público de importadores e investidores chineses que circularão pelo evento”, detalha o gerente de Agronegócios da Apex-Brasil, Igor Brandão.

Além de principal parceira comercial do Brasil, a China é uma das economias que mais crescem no mundo: entre 2003 e 2011 chegou a alcançar a taxa média anual de cerca de 10%. Contudo, ultimamente, o país apresenta tendência de diminuição do ritmo de crescimento, que deve permanecer nos próximos dois anos. “Apostamos em conteúdo para que os chineses conheçam melhor o que o Brasil tem a oferecer e se aproximem dos nossos produtos. Já temos presença em diversos eventos no país e estar na CIIE reafirma a importância do mercado chinês para o Brasil”, reforça Brandão

 

Exportações de máquinas têm queda de 10,6%

As exportações, que em 2018 tiveram importante papel no crescimento registrado pelo setor, segundo a Abimaq, neste ano esbarrou num ambiente mundial em desaceleração que levou ao seu encolhimento em 4,5% no acumulado do ano. Em setembro, as exportações de máquinas e equipamentos apresentaram queda de 10,6% sobre o mês de agosto, mas crescimento de 0,1% sobre o mesmo mês de 2018.

Para a entidade, o crescimento acumulado de 1,2% no ano, abaixo das expectativas, é reflexo desta perda de fôlego das vendas no mercado internacional. As vendas para a América Latina, que no passado chegaram a superar a marca de 50% do total exportado, neste ano tiveram sua participação deteriorada por conta da retração em diversos países. Só a Argentina teve queda de 38%, seguido de Paraguai (-27%) e Chile (-8%).

Acredito que os negócios não serão afetados, poderá ter algum ruído, é o que está afetando não é tanto a política, mas a situação econômica da Argentina, vamos torcer para que o país complete seu ciclo recessivo como nós estamos completando e volte a crescer, voltando a crescer, nossas exportações irão aumentar”, comentou o consultor da presidência Mário Bernardini sobre o novo governo eleito na Argentina.

O desempenho positivo em setembro ocorreu apenas no setor de fabricante de máquinas para logística e construção civil, puxado pelo aumento de 5,4% nas vendas de máquinas rodoviárias. As importações de máquinas recuaram 28,4% em setembro em relação ao mesmo período do ano anterior. A queda está relacionada a base de comparação. O mês de agosto estava inflacionado pela aquisição de sondas no valor de US$ 590 milhões.

 

Startup brasileira fica entre top 5

As startups brasileiras estão ganhando o mundo. A mineira Key2Enable ficou em primeiro lugar – empatado com outra startup – na categoria Internacional Track da competição internacional 5th China College Students 'Internet Plus' Innovation and Entrepreneurship Competition, realizada neste mês, na China. A empresa é uma das top 5, dentre 1.09 milhões de projetos inscritos, englobando 124 países.

A Key2Enable cria tecnologia para permitir que pessoas com deficiências intelectuais e motoras desenvolvam habilidades e consigam ter mais autonomia. Apoiada pelo StartOut, ela vem acumulando diversas vitórias. A empresa foi vencedora da seletiva do Like a Boss na Bett Educar e da Grande Final do Like a Boss no Startup Summit – onde, por ficarem em primeiro lugar, conquistaram o direito de participar dessa viagem à China e de participarem do campeonato mundial, realizado em Hangzhou. Além disso, a Key2Enable acumula alguns outros reconhecimentos no mercado, sendo recentemente vencedora do Innovation Awards Latam.

Quando possibilitamos a ida de startups brasileiras para se apresentarem na China, todos ganharam: as startups, pela oportunidade de geração de negócios e internacionalização; o país anfitrião, por atrair novas tecnologias de todo o mundo para dentro; e o Brasil, por se posicionar como um país inovador e com empresas de qualidade no mercado internacional”, explica Natalia Bertussi, analista em inovação do Sebrae.

Para José Rubinger, CCO da Key2enable, a visita ao país superou todas as expectativas. Segundo o empreendedor, a China tem toda estrutura que uma startup precisa para se estabelecer e expandir mercado. “Imaginava que era um país fechado, mas eles estão buscando novas inteligências pelo mundo, estão convidando empresas, criando hubs e coworkings para integração. Além disso, providenciam moradia e investimento. Foi interessante ver essa realidade”. Rubinger ainda conta que ficar em primeiro lugar na categoria Internacional Track é a prova de que estão no caminho certo. “Independente do continente, estamos fazendo a melhor escolha ao trabalhar com as pessoas com deficiência, focando na inclusão e diversidade. Não pensando nas limitações e sim nas habilidades”.

Além da 5th China College Students, uma outra competição foi realizada em Macau, localizada no sul da China. A Key2Enable abocanhou o primeiro lugar e a Cheap2ship ficou em terceiro. A Cheap2ship é uma solução de redução de custos na contratação de frete internacional.

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor