Baixa nos juros só em 2003

Opinião do Analista / 12:50 - 1 de out de 2002

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Foi divulgado o Relatório de Inflação, documento no qual o Banco Central faz uma análise detalhada da conjuntura econômica atual e traça, mediante hipóteses, a trajetória futura esperada dos preços. Pela leitura do relatório, podemos identificar alguns obstáculos à retomada da baixa dos juros, pelo menos no curto prazo: 1) Inflação de 2002 - A variação do núcleo (tendência central) da inflação vem apresentando uma curva ascendente nos últimos meses. Houve alta de 0,40% em junho, 0,51% em julho e 0,65% em agosto. Esta tendência de alta, mais os efeitos esperados da desvalorização cambial sobre os preços, levaram o BC a projetar uma inflação, medida pelo IPCA, fechando o ano de 2002 em 6,7%. Ou seja, pelo segundo ano consecutivo o BC não conseguirá cumprir a meta (3,5% com tolerância máxima de dois pontos percentuais) e será obrigado a redigir uma carta aberta explicando o porquê. 2) Inflação para 2003 - O BC elevou a projeção de inflação para o ano que vem de 2,6% (Relatório de Inflação de junho/02) para 4,5%. Segundo os cálculos, teremos em 2003 uma inflação de 7,9% nos preços administrados (basicamente tarifas públicas e combustíveis), contribuindo com 2,5 pontos percentuais no número final da inflação e uma alta de 2,9% nos preços livres, contribuindo com mais dois pontos percentuais. A verdade é que a estimativa de inflação para 2003 (4,5%) já está acima do ponto central da meta, que é de 4%, e que já tinha sido revista pois a meta inicialmente estabelecida era de 3,25%. 3) Hipótese de variação cambial - As estimativas contidas no Relatório de Inflação foram feitas considerando uma taxa de juros de 18% ao ano e uma taxa cambial de R$ 3,20 por dólar. Como sabemos, o dólar está bem superior a este nível e não há sinais, por enquanto, de que poderá recuar para este nível utilizado nas projeções. Ou seja, as estimativas de inflação podem estar defasadas e serem bem piores do que constam no relatório. Por tudo isto, é bem provável que reduções na taxa de juros, tão esperadas para que o crescimento econômico possa se acelerar, somente ocorra a partir do próximo governo. Leandro Strasser Analista do BicBanco

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