Bachelet pede inquérito sobre violência policial em Hong Kong

Ex-presidente chilena lembra que liberdade de expressão e direito de participar de assuntos públicos estão na Declaração de Direitos Humanos

Internacional / 12:54 - 13 de ago de 2019

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A alta comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), MIchelle Bachelet, disse hoje que está preocupada com a repressão às manifestações pró-democracia em Hong Kong e pediu um inquérito imparcial na ex-colônia britânica.

Ela "condena qualquer forma de violência e apela às autoridades de Hong Kong para que abram um inquérito rápido, independente e imparcial" sobre o comportamento das forças de segurança, informou o porta-voz Rupert Colville, em entrevista em Genebra.

A alta comissária lembra que o direito à liberdade de expressão e à reunião pacífica, assim como o direito de participar dos assuntos públicos são reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Lei Fundamental que rege Hong Kong.

Bachelet disse que seu gabinete tem "provas credíveis de que os agentes das forças de segurança usaram as armas de forma proibida pelas normas internacionais".

Ela citou disparos de gás lacrimogêneo "em áreas povoadas e confinadas, diretamente sobre manifestantes, com risco considerável de matar ou ferir gravemente".

"O Alto Comissariado pede expressamente às autoridades de Hong Kong para investigarem imediatamente esses incidentes e agir com contenção para que os direitos dos que exprimem suas opiniões pacificamente sejam respeitados e protegidos", disse o porta-voz.

A ex-colónia britânica enfrenta sua pior crise política desde a transferência de soberania do Reino Unido para a China em 1997.

A contestação social começou no início de junho contra um projeto de lei que pretendia autorizar as extradições para Pequim.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora medidas para a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do governo, uma investigação independente sobre a violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.

 

Polícia prende 149 - A polícia de Hong Kong disse na segunda-feira que já prendeu 149 pessoas durante a série de protestos violentos nos últimos dias.

Em coletiva de imprensa, o vice-comissário Tang Ping-keung disse que, na série de protestos, manifestantes radicais agiram de forma ilegal e causaram violências escaladas. Eles espalharam atos violentos por toda Hong Kong, levando graves inconvenientes para a vida cotidiana dos cidadãos comuns e ameaças à segurança do povo.

De 9 e 12 de agosto, 111 homens e 38 mulheres de 15 a 53 anos foram presos sob suspeita de crimes como assembleia ilegal, agressão a policiais, obstrução do dever da polícia e posse de armas ofensivas e objetos perigosos.

Tang disse que, em 11 de agosto, algumas pessoas ignoraram a objeção da polícia e se envolveram em manifestações não autorizadas. Alguns dos manifestantes foram depois para lugares diferentes por toda Hong Kong e bloquearam as principais avenidas e vias de comunicação, cercaram delegacias e danificaram viaturas.

Em Tsim Sha Tsui, na península de Kowloon, uma aglomeração jogou bombas de gasolina na delegacia, queimando as pernas de um policial.

A polícia disse que alguns manifestantes estavam envolvidos em atividades extremamente violentas e que por isso realizou operações de inteligência e prendeu 15 membros centrais das aglomerações em 11 de agosto em Causeway Bay.

Tang pediu aos manifestantes que parem de usar a violência para perturbar a ordem social de Hong Kong e espera que a sociedade de Hong Kong possa em breve restaurar a calma.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a RTP; e da Xinhua

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