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Autoridades temem que CLOs causem crise tipo subprime

Investidores, inclusive instituições financeiras, têm nas suas carteiras quantidade cada vez maior desse tipo de dívida.

Acredite se puder / 07 Março 2019 - 18:03

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Por causa dos empréstimos baratos, nos Estados Unidos, a dívida do setor não financeiro em percentagem do PIB é hoje mais elevada do que antes da crise de 2008. Esse é um dos motivos que levaram várias autoridades a sinalizar que o crescimento deste mercado é um potencial risco para a estabilidade financeira global. O Fundo Monetário Internacional, o Federal Reserve, dos Estados Unidos, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), o Banco de Inglaterra e o Banco do Japão já demonstram preocupação com o crescimento excessivo do mercado das Collateralized Debt Obligation (obrigações de dívidas colateralizadas). Agora, o Financial Stability Board lança um alerta que tais títulos podem criar uma crise tão séria como a registrada em 2008. O FSB é um organismo cuja finalidade é coordenar a implantação de políticas de regulação e supervisão relacionadas à área financeira. Seus participantes são os reguladores, bancos internacionais, grupos de supervisores e especialistas de bancos centrais de polos financeiros relevantes. O Secretariado do FSB está sediado em Basileia, Suíça.

Na semana passada, Randal Quarles, vice-presidente do Federal Reserve, informou ao Financial Times que os bancos são grandes compradores de CLOs, mas o Conselho pretende identificar quais são os detentores a nível global e avaliar os riscos associados à retirada de dinheiro desses instrumentos, num cenário de desaceleração ou eventual contração econômica. Esses títulos de altíssimo risco passaram a ser acompanhados pelos bancos centrais e dos reguladores devido à preocupação com o volume crescente que indica que os investidores, entre os quais instituições financeiras, têm nas suas carteiras uma quantidade cada vez maior desse tipo de dívida. Representam créditos concedidos pelos bancos às empresas com elevado grau de endividamento e que, depois, são vendidos em tranches para fundos de pensões e gestores de ativos. As instituições financeiras consideram tais empréstimos como uma forma segura de financiar empresas mais arriscadas, pois têm prioridade sobre as obrigações no caso de uma falência.

O grande temor é que uma alteração acentuada na política monetária ou na situação econômica pode criar fissuras perigosas neste mercado. A alta nos juros pode comprometer a capacidade das empresas de cumprirem as suas obrigações, levando os investidores a retirarem dinheiro, os bancos a apertarem a concessão de crédito e as empresas a terem dificuldades em refinanciar a dívida, criando riscos em todo o sistema.

 

Novo golpe com as criptomoedas

Esse mercado de criptomoedas é para quem tem os nervos fortes. Depois do calote que o morto passou nos canadenses, um sul-coreano, sem querer, causou um prejuízo de cerca de US$ 26 milhões para a exchange Coinbin, segundo o Business Korea. No final do mês passado, a empresa suspendeu todas as retiradas de criptomoedas e dinheiro assim que fez um comunicado, inclusive pedindo aos usuários para que eles não mais depositassem qualquer fundo, e a liquidação do montante existente será realizada por meio dos processos de falência da justiça coreana.

Com uma história muito mal contada, Park Chan-kyu, CEO da Coinbin, disse que o prejuízo financeiro foi causado pelo antigo CEO de outra exchange também falida e chamada de Youbit e comprada pela exchange que explodiu agora. Pitoresco é que surge um homem identificado penas como Mr. Lee, que se tornou o chefe de operações da Coinbin depois de sair da Youbit, “roubou” diversas chaves privadas de centenas de carteiras e perdeu o acesso a cold storages com mais de 100 ETH no final do ano passado. Lee disse que os incidentes não foram intencionais.

Engraçado é que ninguém fala o nome completo do suspeito, mas sabem que ele é considerado um expert em criptomoedas e patenteou um novo método de usar plataformas de blockchain com transferências criptográficas e até foi coautor de um livro que ensina os fundamentos das criptomoedas e até mesmo ensina como fazer backup de dados das carteiras. Apesar de haver maneiras de recuperar as criptomoedas perdidas sem as chaves privadas, a Coinbin disse que via processar Lee por desfalque.

 

BCE impede alta do petróleo

O pronunciamento de Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, provocou a diminuição no otimismo dos investidores. O WTI, em Nova York, subiu 0,69% para US$ 56,61, e o Brent teve alta de apenas 0,29% para US$ 66,18.

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