Auspiciosa aproximação com a África do Sul

Opinião / 13:45 - 15 de dez de 2000

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A visita do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, ao Brasil ocorre em momento excepcionalmente propício. O presidente Mbeki traz-nos a possibilidade de um relacionamento mais estreito, tanto com o Brasil como com o Mercosul, oferecendo um mercado comercial três vezes superior ao do Chile (que acaba de se afastar do compromisso que vinha negociando com o Mercosul). A África do Sul, com seus 1,2 milhão de km² e cerca de 50 milhões de habitantes, é o país mais desenvolvido do continente africano. Rico em petróleo, rico em minerais precisos e minerais estratégicos, rico no setor agropecuário, possuidor de elevado nível de industrialização, portador de adiantada tecnologia inclusive no campo da energia nuclear. Ocupa posição de reconhecida importância na estratégia mundial (a passagem obrigatória entre os oceanos Atlântico e Índico). Agora, aproximando-se mais estreitamente do Brasil, vem tornar realidade uma ligação geográfica natural que não se explica porque demorou tanto para se realizar, entre dois países avizinhados pelas águas do Atlântico Sul. Propicia-se, assim, o desejado vetor de relações culturais e econômicas Sul-Sul. As intenções de aproximação trazidas pelo presidente Mbeki não podem ser consideradas sonhadoras, pois sua presença pode ser festejada por algo concreto. A empresa de aviação comercial de seu país, a South African Airlink, comprou da Embraer 70 aviões a jato ERJ 135, no valor de US$ 900 milhões. Além, disso outras linhas de negócios estão sendo estudadas, entre elas a importação de veículos automotores brasileiros. O presidente Mbeki esteve presente, como observador, à reunião dos chefes de governo do Mercosul, que acaba de se realizar em Florianópolis, dando início à negociação da participação de seu país nesse organismo regional. Dissemos no começo deste artigo que esta visita do presidente Thabo Mbeki se deu em momento excepcionalmente propício, para o Mercosul e para o Brasil. Realmente, veio como um reparo aos aborrecimentos causados ao Mercosul, com a deserção do Chile e ao Brasil, em especial, pela indenização pretendida pelo Canadá (US$ 1,4 bilhão) e apoiada pela Organização Mundial de Comércio (OMC), em virtude de subsídios da Proex à nossa Embraer, o que teria causado prejuízos à empresa Bombardier canadense. A perspectiva do ingresso da África do Sul no Mercosul compensa, largamente, o afastamento do Chile e a compra de 70 unidades do jato ERJ 135 pode vir a representar uma feliz abertura do mercado continental africano para a nossa indústria aviatória. Carlos de Meira Mattos General reformado do Exército e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG).

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