Ausentes

Fatos e Comentários / 15:26 - 27 de ago de 1999

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A imprensa alienada que ultimamente está criticando a Assembléia Constituinte venezuelana, alegando que foi eleita por menos da metade dos eleitores do país, deveria olhar para o que vem acontecendo no próprio Brasil. Em 1996, 6,43% dos eleitores aptos justificaram o não voto; em 1998, na reeleição de FH, este percentual subiu para 9,01%. Pior só mesmo em 1994, na primeira eleição de FH, quando 9,47% do eleitorado preferiram comparecer aos Correios do que às urnas. Ausentes - 2 O grande número de eleitores que justificam o não comparecimento às urnas preocupa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Néri da Silveira, que faz um apelo ao eleitor que tenha mudado de estado ou de cidade para que transfira seu título eleitoral para o novo domicílio "O eleitor deve exercer o seu direito de voto para escolher os dirigentes do país. Justificando voto, o eleitor não tem participação direta no pleito e não exerce sua cidadania", afirmou Néri. A Justiça Eleitoral vai facilitar a operação de transferência de títulos em todo o país. Além disso, o TSE estuda mudanças, já para as próximas eleições, no mecanismo de recebimento das justificativas, que deixará de ser feito pelos Correios e o formulário passará a ser gratuito (hoje custa R$ 2). A idéia é manter em cada local de votação uma sala exclusiva para recebimento e acabar com o elevado número de justificativas preenchidas incorretamente. A mudança depende de projeto de lei, a ser aprovado pelo Congresso Nacional. Tudo bem Afinal, é alienação ou cinismo? Saco sem fundo A revelação da Anatel de que o total obtido com a conturbada venda do setor de telecomunicações foi de R$ 30,5 bilhões deixa no ar singela pergunta: onde esse dinheiro foi parar? A justificativa primária das privatizações é o abatimento da dívida pública, mas essa, um ano depois do leilão das teles, bateu em julho em R$ 434,115 bilhões. Ou seja, o governo FH esterilizou R$ 30,5 bilhões - quase o equivalente à soma do que destina a Saúde e Educação - para pagar juros, sem impedir que a dívida ultrapassasse os 50% do PIB do país. Crises O economista Affonso Celso Pastore atribui a instabilidade na taxa de câmbio às incertezas na Argentina e à desconfiança com relação à situação política do governo de Fernando Henrique Cardoso. Na Argentina, segundo ele, as exportações foram colocadas em cheque devido à queda dos preços das commodities. Com isso, acrescentou, criou-se uma pressão sobre a taxa de câmbio daquele país, o que coloca em dúvida a política de paridade com o dólar. Além disso, as eleições também provocam incertezas. Com relação ao cenário político brasileiro, Pastore diz que o presidente vem perdendo apoio político dos seus aliados devido à queda de sua popularidade. Novo sotaque São Paulo deixou de ser o maior produtor de café do país. A liderança agora é ocupada por Minas Gerais, que produz 1,6 trilhão de pés de café em 770 mil hectares. Voadores Depois que o presidente de Moçambique, Chissano, estabeleceu um grupo permanente de Voadores Yóguicos na capital, o país conseguiu diminuir os seus débitos externos até agora em 95%. Além disso, o índice de criminalidade está diminuindo e as safras estão indo bem. O país tem 0% de inflação e um crescimento econômico de 10% por ano. Quem revela a fórmula mágica é o Partido da Lei Natural. Moçambique não seria o único país beneficiado: na Nova Zelândia, desde que o país atingiu o nível de 1% de praticantes da meditação transcendental, os débitos externos foram eliminados e os débitos internos caíram consideravelmente. Sucesso verde e amarelo O professor João Evagelista Fiorini, da Universidade de Alfenas (Unifenas), em Minas Gerais, foi escolhido pelo Centro Biográfico Internacional de Cambridge, da Inglaterra, como um dos 2 mil cientistas vivos mais importantes do século XX. Fiorini é chefe do laboratório de Biologia e Fisiologia de Microorganismos da Unifenas. Retorno O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-RJ) promoverá encontro com representantes de entidades do mercado financeiro carioca para encaminhar ao Governo Federal um manifesto à equipe econômica a fim de tentar trazer de volta para a cidade as negociações da mesa de câmbio do Banco Central, fator considerado vital para o Rio de Janeiro voltar a ser o centro financeiro do país. Participarão do encontro os presidentes do Ibef-RJ, Ney Roberto Ottoni de Brito, da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), Carlos Alberto Reis, da Associação dos Bancos do Rio de Janeiro (Aberj), Walber Chavante, e do Forex Club Brasileiro, Carlos Eduardo Coutinho Sobral. Estarão presentes ainda os vice-presidentes da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Omar Carneiro da Cunha, e da Andima, Gonçalo Cristóvam M . Dias. Foram convidados o deputado estadual Sérgio Cabral Filho (presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) e os deputados federais Márcio Fortes (PSDB) e Eduardo Paes (PFL). Santo de casa A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) está cometendo um pecado venial em se tratando de quem se trata. No folheto em que oferece alguns dos seus cursos, o único telefone oferecido para contato - (11) 5085-4625 - é de um fax. Ou seja, candidatos de outros estados sem fax ficam se ter como obter maiores informações. Conveniências No dia seguinte ao comício das Diretas Já, na Candelária, no Rio, o provecto dono de um jornalão do eixo Rio-São Paulo submeteu seus repórteres ao constrangimento de tentar provar que não caberia um milhão de pessoas no lugar. Meses depois, quando a campanha pelas Diretas implodira a candidatura malufista, o mesmo big boss assinou na primeira página de seu jornal candente editorial em defesa da candidatura de Tancredo Neves. Um dos principais argumentos era o repúdio à ditadura mostrada ...no Comício de Um Milhão na Candelária. Espera-se que dessa vez, a autocrítica seja menos envergonhada.

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