Aumento real do mínimo diminuiu concentração de renda

Cinco milhões dos 200 milhões de brasileiros ficam com 20% dos ganhos das famílias.

Conjuntura / 22:41 - 4 de out de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Apenas 1,8 milhão de famílias, 2,7% das 69 milhões de famílias brasileiras, se apropriam de 19,9% da renda média do país. Esse contingente soma apenas 5,2 milhões de pessoas, aproximadamente, com rendimento familiar superior a 25 salários mínimos (R$ 23.850,00).
Na outra ponta estão as famílias que viviam por mês com até 10 salários mínimos (R$ 9.540,00) ou menos em seus orçamentos. Neste grupo estão quase 9/10 das famílias brasileiras (mais especificamente 87%) e um pouco mais da metade (54,2%) da soma valores recebidos por todas as famílias.
A média global da renda familiar no Brasil é de R$ 5.426,70. Deste valor, apenas R$ 2.942,66 vêm deste numeroso grupo formado por 179,2 milhões de pessoas em 60 milhões de famílias. Os dados são da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira, com dados que abrangem 2017 e 2018.
Na POF anterior (2007–2008), o topo da pirâmide ficava com uma fatia ainda maior da renda: 22,1%. O aumento real do salário mínimo nos últimos dez anos contribuiu para reduzir a concentração de rendimentos.
A análise por classes de rendimento mostrou que 23,9% das famílias recebiam até R$ 1.908,00 (2 salários mínimos) e contribuíam com apenas 5,5% do valor médio recebido no Brasil. Ou seja, da média mensal global de R$ 5.426,70, apenas R$ 297,18 vêm deste grupo.
Considerando as famílias que viviam com até R$ 5.724,00 (6 salários mínimos), a contribuição foi de 36,1%. As que receberam mais de 10 salários mínimos se apropriam de 45,8% dos valores recebidos, mesmo sendo apenas 13% das famílias brasileiras.
Quando se analisa a origem dos valores recebidos por classes de rendimento, nas famílias que recebiam até 2 salários mínimos, 41% vinham do rendimento de trabalho; 28,8%, das transferências (entre as quais as aposentadorias e pensões do INSS representaram 55%, e os programas sociais federais, 5,4%); 0,3%, dos aluguéis; 0,6%, de outras rendas; 28,2% era não monetário, e 1,1% se referia à variação patrimonial.
Na outra ponta, nas famílias que recebiam mais de 25 salários mínimos, 60% vinham do rendimento de trabalho; 12,8% das transferências; 3,7% dos aluguéis; 0,2% de outras rendas; 7,9% era não monetário; e 15,3% se referia à variação patrimonial.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor