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Aumento da concorrência pode tornar os empréstimos mais baratos, diz relatório do BC

Mercado Financeiro / 12 Junho 2018

Em 2017, houve crescimento de 3,3% no total de novas concessões de crédito no país, a projeção este ano é de 3%

 

 

O Banco Central acredita em crescimento de 3% do crédito este ano. Em março, o BC divulgou projeção maior: 3,5%. O saldo do crédito para pessoas físicas deve crescer 7%, enquanto para as empresas, a previsão é de queda de 2%. Os dados constam do Relatório de Economia Bancária, divulgado nesta terça-feira (12) pelo Banco Central.

 

Em 2017, houve crescimento de 3,3% no total de novas concessões de crédito no país, mas segmentos de pessoas físicas e jurídicas apresentaram dinâmicas distintas. O crédito destinado às empresas teve queda de 2,7%, com variações de -0,7% e -17,8% nos segmentos de recursos livres e direcionados. Esse comportamento contrasta com o de medidas de financiamento amplo, que incorpora captações nos mercados de capitais e no exterior; as concessões às pessoas físicas cresceram 8,4%, influenciadas pela queda da inflação e da taxa básica de juros, pela melhora do emprego e pelo aumento da confiança do consumidor.

 

Segundo o relatório, o lucro dos bancos correspondeu a 14,04% do custo do crédito para famílias e empresas. Além da margem financeira (lucro) dos bancos, os custos do crédito são compostos por inadimplência (38,27%), despesas administrativas (25,55%) e tributos (22,13%). Esses dados são referentes ao ano passado.

Em relação a 2016, o lucro respondeu por 14,41% do custo do crédito para o tomador, a inadimplência por 38,57%, as despesas administrativas, 24,23%, e os tributos, 22,79%.

De acordo com o relatório, a ampliação da concorrência pode tornar os empréstimos mais baratos por meio da redução dos lucros. Segundo o BC, ainda que o lucro tenha menor peso nos custos para o tomador de crédito, ampliar a concorrência é uma “prioridade”. “A instituição [BC] vem tomando medidas para aumentar a disponibilidade de informações às instituições financeiras, adaptar a regulação de acordo com o porte da instituição financeira, fomentar a portabilidade de empréstimos, facilitar o acesso ou mudança de instituição financeira pelos clientes e incentivar inovações financeiras”, diz o BC.

Para o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana, o custo do crédito no país precisa cair mais. Segundo ele, o “esforço” do Banco Central é para que essa redução seja feita de maneira “estrutural e sustentável”.

“Não só queremos como estamos trabalhando para que as taxas de juros caiam mais rapidamente”, disse. Viana destacou que o peso da inadimplência é elevado e para mudar isso é preciso melhorar as garantias dos empréstimos e investir em educação financeira.

Nova metodologia de cálculo

O diretor explicou que houve uma mudança na metodologia do cálculo do custo do crédito. Com isso, o peso dos custos administrativos passou de cerca de 4% para 25% do custo do crédito. Já a parcela do lucro dos bancos, que antes era de cerca de 23%, recuou para 14%.

Segundo o diretor, anteriormente, subestimava-se o peso dos custos administrativos, ao subtrair as receitas com serviços prestados pelos bancos. “Anteriormente, a ideia era que os serviços não eram nada mais do que uma atividade que ajudava a cobrir os custos”, disse. Atualmente, segundo o diretor, os serviços são considerados parte dos negócios do banco, ao lado do crédito.

Concentração bancária

Para o BC, maior concorrência entre os bancos não requer necessariamente menor nível de concentração bancária (poucos bancos atuando no mercado). “O Banco Central monitora a concentração do Sistema Financeiro Nacional e está atento aos riscos para o sistema e aos possíveis efeitos sobre o spread [diferença entre taxa de captação do dinheiro pelos bancos e a taxa cobrada dos clientes] bancário e outros preços. Entretanto, a relação entre concentração e spreads não é tão direta quanto o senso comum pode sugerir”, pondera. De acordo com o BC, outros fatores estruturais são importantes para se explicar o custo do crédito: despesas administrativas, impostos, margem financeira (lucro) e inadimplência.

 

De acordo com o relatório, em 2016, o Brasil estava no grupo de países com os sistemas bancários mais concentrados, o que inclui Austrália, Canadá, França, Holanda e Suécia.