Aumenta o uso de combustíveis fósseis no mundo

EUA e Canadá concentram 85% de novos projetos de petróleo e gás.

Mercado Financeiro / 21:48 - 5 de dez de 2019

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Relatório produzido por uma rede de ONGs mostra aumento do uso dos combustíveis fósseis

Depois dos Estados Unidos da América (EUA) e do Canadá, os países que deverão realizar novas explorações de petróleo e gás nos próximos cinco anos são Argentina, China, Noruega, Austrália, México, Reino Unido, Brasil e Nigéria.

No contexto mundial, os EUA e o Canadá respondem por 85% dos novos projetos estimados para o período. A informação está no relatório da Global Gas & Oil Network, uma rede de organizações não-governamentais que monitora a evolução da produção de petróleo e gás pelo mundo.

O documento foi apresentado na tarde desta quinta-feira na 25ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climática, realizada em Madri. A conferência vai até o próximo dia 13, sob a direção do Chile, que desistiu de sediar o encontro devido aos protestos sociais nas ruas do país há várias semanas.

O Brasil não enviou representante ao evento, mas o relatório cita que a produção de petróleo e gás no país cresce 13% desde 2015. Diz que o país planeja expandir o volume em mais de 60% até 2030, aumentando drasticamente as emissões de gases com efeitos estufa.

Segundo o relatório, apesar dos apelos da comunidade científica e de vários líderes mundiais – incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres – de que é preciso travar o uso dos combustíveis fósseis, as empresas responsáveis pela exploração de petróleo e de gás planejam investir US$ 1,4 bilhão em novos projetos de extração destes combustíveis nos próximos cinco anos. Um investimento que “tem o potencial de libertar mais de 140 giga toneladas de CO2, de reservas ainda por desenvolver, antes de 2050”, cita o documento. Para ilustrar, isso equivale a construção de 1200 fábricas a carvão de tamanho médio nos EUA.

 

Shell

 

A Shell, multinacional petrolífera anglo-holandesa, está entre as 25 companhias responsáveis por 50% dos investimentos mundiais previstos no setor de petróleo e gás nos próximos cinco anos. A empresa tem como principais atividades a refinação de petróleo e a extração de gás natural. Pesquisas realizadas este ano mostram que a Shell, com emissões de 31,95 bilhões de toneladas de equivalente CO2 desde 1965, foi a empresa com a sétima maior emissão do mundo durante esse período.

Terceira maior companhia petrolífera e líder da indústria petroquímica e de energia solar no mundo, a Shell é a maior multinacional do planeta em termos de receita. De acordo com o levantamento, se apenas os Estados Unido avançarem com os novos projetos de exploração de petróleo e gás que estão previstos entre 2020 e 2024, não importa o que o resto do mundo irá fazer.

 

CO2

 

Uma análise dos planos de expansão das indústrias do petróleo e o gás e da compatibilidade com os limites globais de emissões) as emissões de dióxido de carbono (CO2) daí decorrentes “levariam o mundo para além do limite de 1,5 graus Celsius e tornariam impossível atingir os objetivos do Acordo de Paris”, diz o documento, frisando que “isto é verdade mesmo que o carvão desaparecesse da noite para o dia e as emissões provenientes do cimento fossem drasticamente reduzidas”.

O Acordo de Paris é um compromisso negociado por 195 países com o principal objetivo de conter o aquecimento global do planeta, ao reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A comunidade internacional comprometeu-se a limitar a subida da temperatura bem “abaixo dos dois graus Celsius” e a prosseguir esforços para “limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius” em relação aos níveis pré-industriais. Todos os países deverão atingir o pico das suas emissões “o mais cedo possível” para que, idealmente, na segunda metade deste século os gases com efeito de estufa e os combustíveis fósseis tenham sido abandonados quase por completo.

Em vez de estabelecer para cada país o que teria de fazer, o acordo determina que cada nação deva apresentar, de cinco em cinco anos, planos nacionais com os objetivos a que se propõe cumprir para mitigar as alterações climáticas.

Depois de anos de negociações, o acordo para conter o aquecimento global foi aprovado em 12 de dezembro de 2015 na cimeira climática da ONU em Paris, cidade que lhe deu nome. Entrou em vigor a 4 de novembro de 2016, 30 dias depois de ter sido ratificado por 55 países que representam, pelo menos, 55% das emissões globais de gases com efeito de estufa.

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