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Ato na Câmara lembra um ano do assassinato de Marielle

No Rio, diversas praças, monumentos e prédios públicos amanheceram com homenagens aà vereadora.

Rio de Janeiro / 14 Março 2019 - 16:34

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A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados fez um ato hoje no Salão Verde para lembrar um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Vestindo camisetas com a pergunta "Quem mandou matar Marielle?", os parlamentares cobravam a continuidade das investigações para apurar os possíveis mandantes do crime.

"A gente exige que o Estado brasileiro faça justiça por Marielle e Anderson e isso significa responder quem mandou matar uma parlamentar eleita democraticamente pelo povo", disse a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ).

Para o líder da legenda na Câmara, Ivan Valente (SP), Marielle se tornou um ícone nacional e internacional da luta contra o racismo, o preconceito e em defesa dos trabalhadores. "Um ano depois descobrem os matadores, mas os mandantes ainda estão escondidos".

Os suspeitos do assassinato da vereadora carioca deixaram hoje a Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra da Tijuca, com destino ao Instituto Médico-Legal, no centro, para exame de corpo de delito. Após a perícia, eles serão encaminhados para a Cadeia Pública em Benfica, na zona norte, onde devem passar por audiências de custódia.

Ronnie Lessa, suspeito de efetuar os disparos, e Élcio Vieira de Queiroz, suspeito de ter dirigido o carro que seguiu a vereadora, estavam detidos na delegacia desde terça-feira, quando a Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram uma operação para cumprir 34 mandados de busca e apreensão e as duas prisões.

A irmã da vereadora, Anielle Franco, considerou que as prisões desta semana são um grande passo, e seu pai, Antônio Francisco da Silva, disse que sua angústia diminui um pouco.

A viúva de Anderson Gomes, Ághata Reis, ponderou que as prisões são só um começo. "O que aconteceu foi muito maior do que a gente poderia imaginar. É realmente um divisor de águas. A prisão desses dois é só um começo, um pontapé. Tem muita coisa para ser descoberta, para que a gente ponha um ponto final no nosso sofrimento. Queremos descobrir o mais rápido se houve um mandante"

A viúva de Marielle, Mônica Benício, afirmou que a solução completa do caso é um dever do Estado com a sociedade, a democracia e os familiares das vítimas.

No Rio, diversas praças, monumentos e prédios públicos amanheceram com homenagens a Marielle. Faixas, banners, cartazes, fotos, girassóis e balões enfeitavam pontos como o Largo do Machado, os Arcos da Lapa, a Câmara de Vereadores, o Largo da Carioca, a Praça Tiradentes e a Assembleia Legislativa.

Em meio a frases que lembram as bandeiras defendidas por Marielle, como "eu sou porque nós somos" e "mulheres não serão interrompidas", figurava a pergunta "Quem mandou matar Marielle?", que continua sem resposta mesmo depois da prisão, na terça-feira, de dois acusados de terem executado o crime. A missa de um ano da morte de Marielle e Anderson foi celebrada às 10h na Igreja da Candelária, no centro da cidade. Depois da cerimônia, os pais de Marielle conversaram com a imprensa. A mãe, D. Marinete da Silva, agradeceu todas as homenagens em memória de sua filha.

"Eu agradeço, é um dia de dor, para a gente estar junto, mas é também um dia de muita tristeza, porque um ano não é fácil o que a gente tem vivido hoje. Então eu agradeço a todos que estão aqui, por esse carinho, por esse afeto, para reverenciar cada vez mais a memória da minha filha, num dia que é sagrado pra família".

Marinete disse que a missa é um momento importante para a família, que é católica. "É isso que Marielle pregava, ela era uma moça católica, foi catequista, em cima de todo o simbolismo que a gente tem como católico, como cristão, é reverenciar essa memória dessa maneira".

Sobre a reunião que teve ontem com o governador Wilson Witzel, Marinete disse que o tamanho do símbolo que Marielle se tornou hoje supera qualquer atitude desabonadora que ele possa ter tido. Durante a campanha eleitoral do ano passado, Witzel foi fotografado ao lado de candidatos a deputado que quebraram uma placa que homenageava a parlamentar.

"Ele me pediu desculpa, disse que não estava diretamente no ato, a gente sabe que foi uma atitude isolada, que não foi uma atitude decente. Eu falei com o governador como minha filha é grande. Ele conseguiu emoldurar um pedaço da placa e pôs no gabinete dele para ver todos os dias. O tamanho dessa mulher não existe, ela transcende tudo que ele fez, tudo o que o Brasil precisa ouvir dessa menina, ela ultrapassou os limites".

O pai, Antônio da Silva, agradeceu todo o apoio e solidariedade que a família tem recebido, mas desabafou que a dor não diminui. "Ameniza um pouco, porque a dor é muito grande, o vazio é enorme", disse.

Sobre a prisão dos policiais, Antônio disse ser "inadmissível" que agentes do estado, "pagos com nossos impostos", procedem dessa foram. "Eu penso que as pessoas que fazem essa seleção deveriam ter essa preocupação de colocar lá pessoas com índole boa, para que não façam o que fizeram com a minha filha a outras pessoas".

A partir das 16h, um ato na Cinelândia prossegue com as homenagens à memória de Marielle.

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência Câmara Notícias

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