Atividade do varejo perde fôlego e cresce só 1,41% em setembro

Roque Pellizzaro Junior: 'Ritmo ainda é lento e demandará tempo para superar o patamar anterior à recessão.'

Conjuntura / 16:13 - 9 de out de 2019

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Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que o Indicador de Atividade do Varejo cresceu só 1,41% no acumulado em 12 meses até setembro deste ano. No mesmo mês do ano passado, a atividade do segmento varejista havia sido um pouco maior, com alta de 1,60%. Já nos anos anteriores, em meio a recessão econômica, os dados estavam no vermelho, com queda sucessivas de -1,37% em 2017, -5,89% em 2016 e -3,42% em 2015.

Os dados do indicador também mostram que apesar do crescimento no último mês, o ritmo de alta na atividade do varejo está menor do que o verificado nos primeiros meses de 2019, que encerrou janeiro com avanço de 2,88% e manteve nos meses seguintes altas próximas a faixa de 2%.

"Os números comprovam a tendência de recuperação do comércio após amargar perdas no auge da crise econômica. No entanto, o ritmo ainda é lento e demandará tempo para superar o patamar anterior à recessão. Fatores como renda e desemprego, que avançam timidamente, são essenciais para que a atividade varejista possa mostrar resultados mais vigorosos", explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

O Indicador de Atividade do Comércio é construído a partir do volume de consultas de CPFs e é um termômetro da intenção de compras a prazo por parte do consumidor, abrangendo os segmentos varejistas de supermercados, lojas de roupas, calçados e acessórios, móveis e eletrodomésticos, entre outros.

Outro dado também apurado pelo indicador é o nível de atividade no comércio atacadista. Nesse caso, que não leva em consideração a venda de veículos e motocicletas, o crescimento no acumulado em 12 meses até setembro foi de 6,90%. Trata-se do melhor resultado desde setembro de 2018, quando a alta havia sido de 7,28% na mesma base de comparação.

Para Pellizzaro Junior, o avanço mais robusto entre o segmento atacadista do que no varejo é um sinal positivo e que demonstra confiança dos empresários mais à frente.

"O empresariado atacadista trabalha com prazos mais dilatados e muitas vezes se antecede a um movimento futuro no varejo. O crescimento expressivo da atividade econômica nesse segmento pode se refletir em mais vendas no varejo dentro de alguns meses", explica o presidente.

 

Dia das Crianças - Neste Dia das Crianças, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) estima que o movimento de vendas do varejo paulistano deve registrar crescimento na faixa de 2% em relação ao mesmo período de 2018.

"Nós estamos com uma expectativa de alta de 2% nas vendas, que segue o ritmo médio no qual o comércio vem crescendo neste ano. Não é um resultado excepcional, mas acaba sendo positivo", diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Segundo ele, o Dia das Crianças não é uma data tão relevante, se for considerado o comércio como um todo, porém ela é extremamente importante para alguns segmentos, como para o setor de brinquedos, roupas e calçados infantis, e outros setores voltados para esse público.

Solimeo ressalta que, até o fim do ano, o ritmo de crescimento das vendas pode acelerar um pouco mais e melhorar o desempenho do comércio.

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