Até 2030, 43% da força de trabalho mundial será formada por minorias

Conjuntura / 09 Agosto 2017

Cada vez mais as empresas trabalham para promover a inclusão no ambiente de trabalho. Atualmente, essa não é mais uma questão somente de desenvolvimento social, mas também de estratégia dos negócios. De acordo com estudo da consultoria de riscos, benefícios e saúde Aon, até 2030, 43% da força de trabalho mundial será formada por minorias.

Para o presidente da Aon Brasil, Marcelo Munerato de Almeida, com essa previsão, surge dentro das empresas uma necessidade de agir para acomodar as demandas desses perfis profissionais.

- Já está provado que ações de promoção da diversidade e inclusão melhoram o desempenho financeiro das empresas, possibilitando acelerar os processos de inovação por meio da variedade de pontos de vista - explica.

De acordo com o estudo da Aon, se um membro de uma equipe possui características em comum com os clientes, toda a equipe compartilha um entendimento mais profundo desse cliente. Por isso, equipes com origens sociais diversas têm 45% mais chances de trazerem crescimento de mercado para as suas empresas e 70% mais chances de conquistarem novos mercados.

Além disso, colaboradores inseridos em culturas organizacionais que valorizam múltiplas opiniões e pontos de vista possuem 3,5 vezes mais chances de desenvolver plenamente seus potenciais para a inovação.

- É crucial para o futuro dos negócios que as companhias continuem buscando proativamente diversificar suas bases de talentos.

Para ele, o fator cultural é determinante.

- O ambiente corporativo precisa de diversidade de gênero, etnia e orientação sexual. Mas para que essa percepção se multiplique, ela deve estar presente na cultura organizacional, partindo da liderança.

O estudo indica que quando os líderes são capazes de dar a mesma atenção para opiniões diversas, eles estão duas vezes mais propensos a desenvolver ideias que trazem valor para os negócios.

- As empresas precisam garantir que todos os colaboradores sejam ouvidos, tornando o ambiente de trabalho acolhedor para novas ideias, oferecendo aos membros das equipes autonomia para tomar decisões, compartilhando os créditos pelo sucessos e oferecendo feedbacks - diz Marcelo Munerato.

A companhia já registra, por exemplo, uma participação maior de mulheres em cargos de liderança. Atualmente, dos 2 mil funcionários da Aon no Brasil, 65% são mulheres. Dos oito membros que compõem o Comitê Executivo da companhia, três são mulheres. Em cargos de direção e gerência, 25% são mulheres.

- Estamos buscando ativamente melhorar esses números, mas para nós eles já representam os primeiros resultados de ações concretas para promover a igualdade no ambiente de trabalho. Nós queremos nos assegurar de que a diversidade e a inclusão estejam presentes em todos os aspectos da nossa estratégia de atração de talentos para que possamos continuar a mover nosso negócio, nossa indústria e nossa sociedade para a frente - conclui Marcelo Munerato.

 

Jovem Aprendiz: contratação sobe 10% no país em 2017 e vira alternativa contra desemprego

Embora a taxa de desemprego entre os jovens tenha atingido o índice de 28,8% no primeiro trimestre de 2017, segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE), o Programa de Socioaprendizagem tem proporcionado um cenário diferente em relação à inserção de jovens no mercado de trabalho.

Estudo realizado pelo Ensino Social Profissionalizante (Espro), houve aumento no país de 10% no número de admissões de adolescentes neste formato de contratação no primeiro semestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado.

- Empresas que dão oportunidade a esses jovens notam o valor de se contribuir na formação de novos talentos e de garantir segurança jurídica ao adotar o Programa Jovem Aprendiz - afirma Paulo Vieira, gerente de Marketing e Relacionamento do Espro.

A condição de aprendiz tem dois aspectos: o primeiro é que o jovem recebe uma formação técnico-profissional e a condição obrigatória para isso é que ele frequente o ensino regular ou já tenha concluído o ensino médio; o segundo aspecto é que ele ingresse no mundo do trabalho com registro em carteira, salário e demais direitos estabelecidos pela Lei do Aprendiz nº 10.097/00. Das muitas formas de trabalho no país, este é o que melhor protege e favorece a inserção de jovens ao mundo corporativo.

Ainda segundo Vieira, "nos últimos anos, muitos jovens adiaram a entrada no mercado de trabalho para priorizar os estudos. Com o programa, eles conseguem uma renda que os ajudam durante esta crise do país e, principalmente, ganham aprendizado corporativo nas atividades práticas e teóricas que o programa propõe".

 

Ministério Público em SP investiga ONG que cobra para arranjar emprego

O Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) abriu procedimento para investigar a Organização Não Governamental Agefes-Paz, que atua em parceria com a Agefes-Saúde, e seleciona candidatos para emprego.

Ela é acusada de obrigar os interessados nas vagas a se comprometerem a doar R$ 300 do primeiro salário, que seriam destinados à compra de cesta básica para crianças com câncer.

Segundo as informações do MPT-SP, o salário é uma verba de natureza alimentar e direito fundamental do ser humano, além de ser impenhorável. "Uma empresa, empregador ou agência de empregos não têm o direito de exigir parcela do salário de um empregado para o que quer que seja. Também não pode condicionar o recebimento do salário à doação de uma parcela ou valor". No caso de uma agência de trabalho doméstico, pode-se cobrar taxa do empregador, mas nunca do empregado.

Ainda segundo o MPT-SP, caso o cidadão seja vítima ou conheça vítima desse tipo de uma empresa ou agência de emprego que exige parte do salário, pode denunciar tanto ao MPT quanto ao Ministério do Trabalho, à Justiça do Trabalho ou ao sindicato da categoria afetada.

"Após uma denúncia são abertas investigações para apurar os fatos. Se ficar comprovada a ilegalidade, a empresa pode ser obrigada a corrigir a situação, comprometendo-se, por meio de acordo com o MPT, com possibilidade de multa e, em último caso, de processo judicial”, diz o MPT-SP por meio de nota.

A Agência Brasil não conseguiu contato com a Agefes-Paz. O site da entidade diz que a empresa é filantrópica e sem fins lucrativos, especializada em prestar serviços de mão de obra para outras entidades.

Afirma, ainda, que a ONG emprega pessoas diretamente das instituições de ensino na área de saúde e outros, dando aos profissionais uma oportunidade clara de um emprego seguro. Afirma ainda que a sede fica em Salvador, na Bahia, mas pode atuar em qualquer parte do país, com boa parte dos serviços realizados em São Paulo.

"O grupo Agefes presta serviços com profissionais responsáveis e recém-formados, além do primeiro emprego para iniciante e pessoas com deficiência. Nossa missão é empregar o maior número de pessoas e, através destes profissionais, garantir cesta básica e estabilidade para os pacientes de baixa renda com câncer. A Agefes tem como desafio uma relação de 25 famílias com câncer que precisam de ajuda constante", informa o site.

 

Com informações da Agência Brasil