As ‘big four’ de auditoria estão complicadas em Angola

Por Nelson Priori

Acredite se Puder / 23:44 - 21 de jan de 2020

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O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, formado por 34 órgãos de comunicação, depois de analisar 356 gigabytes de dados, está denunciando principalmente as big four, KPMG, Deloitte, PwC e EY por legitimarem os negócios gerados a partir da riqueza de um país que tornaram a filha do ex-presidente angolano na mulher mais rica de África. Os levantamentos revelam que essas firmas receberam dezenas de milhões de dólares por trabalho para o governo angolano, mas quitadas através de empresas de fachada no exterior, ligadas a Isabel dos Santos e aos seus associados, há muito usadas para evitar impostos, esconder riqueza ilícita e lavar dinheiro.

O Boston Consulting Group e a McKinsey, para a reestruturação da petrolífera estatal Sonangol, concordaram em receber de uma empresa sediada em Malta e controlada pela filha do ditador angolano, em vez do pagamento ser do próprio governo. A PwC prestou serviços de consultoria, incluindo fiscal, a duas dezenas de empresas controladas por Isabel dos Santos e pelo marido, do total de mais de 400 detectadas nos "Luanda Leaks" – incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas. Assim ficou como a mais visada nessas transações suspeitas e esquemas alegadamente fraudulentos. A empresa, no entanto, comunicou ao mercado que tomou medidas para encerrar qualquer trabalho, até os em curso, para entidades controladas por membros da família dos Santos.

 

Investimentos em maconha continuam instáveis

Guy S. Griffithe e Robert W. Russell, e três empresas que controlavam - a Renewable Technologies Solution,Inc., a SMRB LLC e Green Acres Pharms - lesaram dezenas de investidores em US$ 4,85 milhões, que pensaram estar comprando interesses em uma empresa de cannabis recreativa licenciada em Washington. Porém, entre agosto de 2015 e dezembro de 2017, Griffithe gastou US$ 1,8 milhão em outras aplicações financeiras, despesas pessoais diversas, vários carros de luxo e, além do depósito de US$ 1,5 milhão, também comprou um iate para Russel. Para enganar os investidores, montaram um esquema do tipo Ponzi. Agora, a Securities and Exchange Commission acusa a Griffithe, Russell, Renewable, SMRB e Green Acres Pharms LLC de violarem as disposições antifraude das leis federais de valores mobiliários

 

Analistas do Bradeso BBI recomendam cautela com varejo

Os analistas do Bradesco BBI revisaram suas recomendações mas mantiveram uma visão positiva para o setor varejista em 2020, destacando que as expectativas de alta justificam alguma cautela, o que favorece ações com: 1) forte execução; 2) crescimento estrutural; 3) múltiplos preço sobre o lucro baixo com espaço para expansão. Assim, elevaram B2W e Marisa de neutro para desempenho acima da média, reduziram para neutra a recomendação do Mercado Livre, negociada na Nasdaq, Arcos Dourado, negociada na Nyse, Centauro, Arcos Dorados, Burger King e Vulcabrás. Como top picks escolheram Magazine Luiza, B2W, Arezzo e Marisa.

 

Será que futebol esvazia o caixa?

A MRV badalou a prévia do quarto trimestre, alegando que o ano passado foi o melhor período de lançamentos da companhia em VGV e produção, respectivamente com crescimento de 7,4% e 7,3% sobre 2018.

Os analistas do BTG Pactual destacaram a queima de R$ 34 milhões do caixa, apesar dos números mostrarem que a construtora reduziu em 8% seu ritmo de produção, com a construção de 9.124 unidades. Os do Credit Suisse revelam preocupação, pois os lançamentos não foram suficientes para impulsionar as vendas, que permaneceram estáveis, e como o nível de estoque está aumentando, a dinâmica do capital de giro deve piorar. Os do Santander também não ficaram satisfeitos e classificaram os números como “ligeiramente negativos”., alertando que a queima de caixa também chama a atenção.

Agora fica a pergunta: onde a construtora encontra o dinheiro para o patrocínio do Atlético Mineiro? Na semana passada, o clube mineiro pagou a vista 3 milhões de euros ao Liverpool para aquisição do jogador Allan. Como perguntar não ofende: como conseguiu tais recursos com uma rapidez incrível?

Na última década do século passado, a CVM descobriu que a Gerdau desviou dinheiro para a compra de cavalos para o Haras Jotter, que também pertencia a família. Apesar de tentarem justificar como um empréstimo, tiveram de devolver, pois foi considerado irregular, mas ninguém foi punido. Nem com multinha.

 

Para onde vai a Oi?

Para os analistas do Credit Suisse, a Oi é case pouco atrativo, apesar da possível venda da telefonia móvel. Assim, estabelecem a classificação de underperform e preço-alvo de R$ 0,70 para as ações ordinárias. Ah, os do BTG acham que sobem.

 

 

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