Armazéns do Porto de Santos vão embora por R$ 112,5 milhões

Segundo ministro, 'privatização de Santos, a gente ainda não conhece o modelo; a gente já iniciou o estudo da privatização das Docas do ES'.

Conjuntura / 16:18 - 13 de ago de 2019

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Uma das áreas levadas a leilão hoje do Porto de Santos foi concedida por R$ 112,5 milhões. O lance vencedor foi da Hidrovias do Brasil durante o certame na B3 (Bolsa de Valores), na capital paulista.

A empresa ganhou o direito de exploração por 25 anos de três armazéns interligados por esteiras ao cais, em um total de 29,3 mil m² para movimentação de sal e fertilizantes. A previsão do Governo Federal é que a nova concessionária traga investimentos de R$ 219,3 milhões.

A disputa foi apertada com diversos lances em viva voz. A proposta inicial da Hidrovias do Brasil havia sido de R$ 65 milhões, mas foi aumentada para competir com ofertas feitas pela Aba Infraestrutura e pelo Consórcio TRH, que também participaram do certame. A última proposta do TRH ficou em R$ 112 milhões, sendo que a Hidrovias do Brasil venceu com um lance R$ 500 mil superior.

A segunda área em Santos foi leiloada para a Aba Infraestrutura por R$ 35 milhões. A outra concorrente, a Empresa Brasileira de Terminais, teve o lance desclassificado por ter diversos outros ativos na mesma parte do porto. Sendo assim, a oferta da Aba foi a única considerada válida. O espaço, com 38,4 mil m², é destinado à movimentação de líquidos, como produtos químicos, etanol e derivados de petróleo. A estimativa do governo é que sejam feitos R$ 110,7 milhões em investimentos.

Também em lance único, a Klabin arrematou por R$ 1 milhão uma área de 27,5 mil m² para movimentação de cargas em geral. Estão previstos investimentos de R$ 87 milhões.

A empresa é uma grande produtora do setor no Paraná e pagou R$ 1 milhão pelo lote. "Para determinado tipos de terminal a gente tem cadeias que são extremamente verticalizadas. Aquele cara que já está fazendo o investimento na fábrica, já tem o transporte, normalmente é quem vai arrematar", explicou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, sobre porque já era esperada a falta de concorrência pela área.

Segundo a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), vinculada à Casa Civil da Presidência da República, são estimados investimentos de R$ 420 milhões nos três empreendimentos.

Tarcísio Freitas comemorou o resultado.

"Superou a expectativa. Foi muito bom porque a gente viu competição em dois terminais. O de celulose em Paranaguá a gente esperava um player único", disse após o leilão desta terça-feira.

O ministro destacou ainda que uma das áreas no Porto de Santos e o espaço em Paranaguá haviam ido a leilão no ano passado, mas não atraíram compradores.

"Isso é uma mostra que estamos conseguindo ir na direção certa", acrescentou.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), disse que a Klabin tem um plano de mais de R$ 9 bilhões de investimento em uma nova planta de produção no estado, com a contratação de 12 mil funcionários. "Como é um polo importante, a produção de celulose é muito importante para o estado, você dando oportunidade para que um grande grupo tenha uma logística mais eficiente, isso é geração de emprego na veia", comentou o governador a respeito do resultado do leilão.

A previsão do governo é que a Klabin faça R$ 87 milhões em investimentos na área adquirida em Paranaguá. No total, são esperados investimentos de R$ 420 milhões nos três empreendimentos.

Sobre a privatização do Porto de Santos, planejada pelo governo, o ministro disse que os modelos vão começar a ser testados no Espírito Santo.

"A privatização de Santos, a gente ainda não conhece o modelo, vamos estudar o modelo. A gente já iniciou o estudo da privatização da Companhia Docas do Espírito Santo. Estamos fazendo isso com o BNDES", explicou.

O presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Casemiro Tércio Carvalho, disse que a empresa está se preparando para receber o capital privado. Para isso, está sendo feito um levantamento das dívidas da empresa e as áreas responsáveis por honrar o montante. Segundo ele, os maiores valores dizem respeito a dívidas trabalhistas e o déficit no Portus, previdência complementar dos funcionários da empresa.

"As ações trabalhistas, que não são poucas. Nós estamos falando de um histórico de falta de controle e zelo com o adicional de tempo de serviço, de risco", exemplificou sobre o tipo de dívida da autoridade portuária. Ele estimou em cerca de R$ 1,5 bilhão o volume total das dívidas.

Além disso, de acordo com Carvalho, a companhia se prepara para reduzir consideravelmente o quadro de funcionários. Um programa de demissão voluntária pretende atrair 500 dos atuais 1,3 mil empregados da Docas.

 

Com informações da Agência Brasil

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