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Ariano Suassuna

– O dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor Ariano Suassuna (Cidade da Parahyba, 16 de junho de 1927–Recife, 23 de...

Empresa-Cidadã / 11 Setembro 2018

O dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor Ariano Suassuna (Cidade da Parahyba, 16 de junho de 1927–Recife, 23 de julho de 2014) é o criador da personagem Xicó, mentiroso compulsivo, apresentado no livro O Auto da Compadecida e reapresentado muitas vezes, no cinema e no teatro. Ele concedeu antológica entrevista, no programa de TV apresentado por Jô Soares, em 2013, que aqui transcrevo em seu trecho final, pela oportuníssima atualidade. Ele disse

– “Nós, que pertencemos ao Brasil oficial, que é o Brasil dos privilegiados, desde muito jovens, a gente passa por uma lavagem cerebral, quer dizer, nós somos portugueses arrependidos. Eu tinha uma tia avó, que foi a velhinha mais reacionária que eu já vi na minha vida. Ela tinha horror a Pedro Álvares Cabral. Ela, quando falava em Pedro Álvares Cabral, trincava os dentes. E dizia ‘aquele amaldiçoado. Se não fosse ele, eu tinha nascido na Europa’.”

– “A classe dominante brasileira, no século XIX queria ser francesa. Hoje, quer ser americana. Inclusive, já estamos criando problemas para os meninos, Tem menino que fica frustrado se não for à Disneylândia. Isto é uma coisa triste. Eu acho a Disneylândia um lugar terrivelmente feio. Aquilo é um monumento à imbecilidade humana. Eu nuca fui lá não. Nem vou. Minha filha foi e me contou ‘foi uma das coisas mais ridículas que eu vi em minha vida. Um bando de brasileiros lá, fizeram um espetáculo, e os brasileiros comovidos, chorando’. Aqueles bonecos horrorosos, enormes. Você se comover com Mickey Mouse?!!!”

 

A praça é do povo?

Na Praça Getúlio Vargas, em Nova Friburgo, aos pés da estátua do ex presidente, está o marco que indica ser aquele local o centro geodésico do estado do RJ. Além desta característica, a praça é também uma das criações do paisagista Auguste François Marie Glaziou, ou simplesmente Glaziou (1833–1906). Trazido ao Brasil por D. Pedro II, em 1858, onde permaneceu até 1897, é o autor de outros projetos como o da Quinta da Boa Vista (Rio de Janeiro/RJ), com suas belas alamedas de sapucaias, na cor lilás, vistas e revistas recentemente nas sucessivas matérias jornalísticas sobre o terrível incêndio do Museu Nacional. Outras obras de Glaziou são o projeto do Campo de Santana (Rio de Janeiro/RJ), do Passeio Público (Rio de Janeiro/RJ) e do Jardim Público de Bordeaux (Bordeus/França) etc.

 

A ameaça

Pois não é que, ao que tudo indica, especulação imobiliária está de olho na Praça Getúlio Vargas? O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 2015, entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Ministério Público Federal (MPF) e a Prefeitura de Nova Friburgo foi objeto da Audiência Pública (AP), realizada em 31 de agosto, pela 9ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Tudo porque a Prefeitura Municipal, que já cometeu o abate de alguns raros e valiosos exemplares de eucaliptos, sem qualquer satisfação à população, mantém junto ao MPF negociações sobre um projeto de reforma da praça, que vem sendo tratado clandestinamente. Entre os encaminhamentos da AP está uma moção de repúdio ao prefeito que, convidado para a audiência, respondeu, em nota, que não compareceria, nem se faria representar, por ter sido informado que o MPF não estaria presente, negligenciando então a presença de dezenas de outros munícipes participantes. Vereadores presentes, entre os quais o presidente da Câmara, afirmaram o interesse de incluir a Casa nas discussões.

Em consequência, a OAB manifestou a intenção de chegar até a judicialização da matéria, se não forem revistos os métodos secretos de ajustes sobre os destinos da praça, até aqui adotados. Importante é a manifestação explícita da população de não permitir adulterações no projeto original de Graziou.

 

Agenda

33ª Bienal de São Paulo, Afinidades Afetivas – Com a curadoria geral de Gabriel Pérez-Barreiro, a 33ª Bienal de São Paulo é realizada através de sete mostras coletivas e resulta em um empoderamento dos artistas ante a curadoria e do público visitante ante o artista. A proposta migra do eixo tradicional de um único assunto definido pela curadoria (que pauta os artistas) e de um único roteiro (pronto, acabado) para os visitantes.

Alternativamente, artistas foram convidados a assumir a condição de curadores, apresentando temas convergentes sobre como a arte pode se relacionar com outras obras e com o público. Três diretrizes formatam esta Bienal: não oferecer um exclusivo assunto centralizador; artistas se assumindo também como curadores e; disponibilizar uma variedade de possibilidades para a experimentação dentro da Bienal. Ao visitante, é oferecida a liberdade de escolher o seu próprio roteiro de assimilação dentro do espaço da Bienal, dirigindo o processo criativo. Além da curadoria geral, há mais sete curadores-artistas que organizam as sete mostras coletivas (Alexandro Cesarco; Antonio Ballester Moreno; Claudia Fontes; Mamma Andrsson; Sofia Borges; Waltercio Caldas e Wura-Natasha Ogunjii).

Entrada gratuita. Até 9 de dezembro, com funcionamento de 9h até 19h (entrada só até 18h) às terças, quartas e sextas-feiras, domingos e feriados e; de 9h às 22h (entrada só até 21h), às quintas-feiras e sábados. Fechado às segundas-feiras. Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, São Paulo (SP). Mais informações: www.bienal.org.br

 

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br