Argentina não honra acordo

Negócios Internacionais / 17:58 - 11 de jul de 2011

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Mais de um mês após o encontro da ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pouca coisa mudou nas fronteiras do parceiro de Mercosul em relação aos exportadores brasileiros. Na época, foi firmado um compromisso de respeito ao prazo máximo de 60 dias para liberação de produtos importados, como recomenda a Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, segundo exportadores nacionais, a relação comercial com os vizinhos do Sul permanece difícil e os produtos brasileiros continuam sendo retidos pela burocracia argentina por períodos superiores aos aceitos pela OMC. Segundo resposta oficial enviada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), "não houve nenhuma mudança na relação comercial dos dois países. Tudo continua muito crítico". O mesmo ocorre no segmento de calçados. O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, confirma que o acordo não está sido cumprido. "O acordo não aconteceu. As mercadorias continuam presas. Temos produtos esperando liberação desde março", reclamou. Para ele, o governo brasileiro errou ao "afrouxar" na questão das licenças não automáticas de importação. "Precisamos aplicar a mesma medida. Infelizmente, essa é a única linguagem que eles entendem. Continuamos prejudicados com o não cumprimento de prazos". Superávit comercial em alta No acumulado do ano, o superávit da balança comercial já chega a US$ 14,837 bilhões, com média diária de US$ 114,1 milhões. No mesmo período de 2010, o superávit foi de US$ 8,832 bilhões, com média de US$ 67,9 milhões. Pela média, houve aumento de 68% no comparativo entre os dois períodos. A corrente de comércio somou US$ 235,579 bilhões, com média diária de US$ 1,812 bilhão. O valor é 30,2% maior que a média aferida no mesmo período no ano passado (US$ 1,391 bilhão). BC tenta segurar do dólar O Banco Central alterou, nesta sexta-feira, a medida anunciada em janeiro que estabelecia o recolhimento de compulsório pelos bancos sobre a posição vendida de câmbio. O percentual de 60% de recolhimento foi mantido, mas agora ele terá que ser recolhido sobre a posição vendida que exceder US$ 1 bilhão ou o patrimônio de referência de nível I (PR1), o que for menor. Antes esse limite era de US$ 3 bilhões. As instituições terão cinco dias para se adequar à nova regra. A medida tem o objetivo de obrigar as instituições financeiras a reduzir essas posições que, em junho, subiram de US$ 9,3 bilhões para US$ 14,6 bilhões. O depósito compulsório será recolhido em espécie e não será remunerado. O recolhimento será feito com base no cálculo da média móvel dos últimos cinco dias. Sem acordo com a UE Os negociadores da União Européia e do Mercosul encerraram sem acordo, nesta sexta-feira, em Bruxelas, na Bélgica, mais uma rodada de conversas sobre o acordo comercial envolvendo os dois blocos. Foi a sexta rodada de negociações desde a retomada das conversas, que ficaram suspensas por seis anos - desde 2004. Os europeus exigem mais estudos sobre o impacto de um acordo na área de agricultura. Brasil na feira de Luanda A Feira Internacional de Luanda (Filda), que está na sua 28ª edição, será aberta às 14h do dia 19 de julho próximo. Neste ano, o Brasil terá, no pavilhão organizado pela Apex-Brasil, representações de 34 empresas de setores variados, como carnes, massas prontas, arroz, calçados, móveis, máquinas para o setor madeireiro, materiais elétricos e aparelhos domésticos, conexões para instalação de eletrodutos, material escolar e de escritório, lubrificantes para veículos, ônibus, entre outros. O pavilhão brasileiro, com 700m², estará dividido em estandes individuais. Faber Castell, Grendene, JBS, Marfrig, Lorenzetti, Marcopolo e Balanças Coimma são algumas das empresas que confirmaram presença no evento. Setor têxtil em crise A competição desleal com países que subsidiam a produção de peças de vestuário e a guerra fiscal entre os estados são dois dos principais problemas que a indústria têxtil nacional enfrenta atualmente, de acordo com empresários do setor. De acordo com a Abit, a balança comercial da indústria têxtil registra déficits há cinco anos. Em 2010, as importações de peças de vestuário superaram as exportações em US$ 3,5 bilhões. A previsão da entidade é de que neste ano o déficit passe para US$ 5,2 bilhões. As maiores empresas brasileiras Petrobras, Banco do Brasil, Bradesco, Vale, JBS, Itaúsa e Ultrapar são as representantes brasileiras no ranking das 500 maiores companhias do mundo, divulgado pela revista Fortune. Com receita de US$ 120 bilhões (R$ 187,2 bilhões), a Petrobras é a primeira a aparecer, na 34ª posição. A próxima é o Banco do Brasil, em 117º lugar, com um faturamento de US$ 62,8 bilhões (R$ 97,9 bilhões). O Bradesco ocupa a 156ª posição, com US$ 53 bilhões (R$ 82,7 bilhões), seguido pela Vale, que está no 186º lugar (US$ 45,3 bilhões, ou R$ 70,7 bilhões). O JBS está na 306ª posição (US$ 31,3 bilhões, R$ 48,8 bilhões), Itaúsa-Investimentos Itaú na 359ª (US$ 26,9 bilhões, R$ 41,9 bilhões) e Ultrapar na 399ª (US$ 24,1 bilhões, R$ 37,6 bilhões). A rede Wal-Mart continua como a maior empresa do mundo, com receitas de US$ 408 bilhões (R$ 636 bilhões). Antonio Pietrobelli editor@exportnews.com.br

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