Após "Brexit", secretário de Estado dos EUA pede tranquilidade ao mercado

Internacional / 10:38 - 27 de jun de 2016

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O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, encontrou-se hoje, em Bruxelas, na Bélgica, com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, com o objetivo de discutir uma solução para a crise política decorrente da saída da Grã-Bretanha da União Europeia. - Ninguém deve perder a cabeça - disse Kerry, ao falar sobre a instabilidade política e econômica provocada pela decisão dos britânicos que, em plebiscito na última quinta-feira, votaram pela saída da Grã-Bretanha do bloco. O secretário de Estado deve ter um encontro ainda hoje com o primeiro-ministro britânico David Cameron. Em Bruxelas, Kerry reuniu-se também com a chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini. A viagem do secretário de Estado dos EUA tinha inicialmente a meta de discutir a programação de temas da cúpula da Otan, que ocorrerá nos dias 8 e 9, de julho, em Bruxelas. Agora, depois do plebiscito britânico, a cúpula ganhou um novo significado para os países membros da Otan, que reúne, entre outros integrantes, 22 países da União Europeia. Em entrevista a jornalistas, o secretário-geral Stoltenberg, disse que "depois que a Grã-Bretanha decidiu abandonar a União Europeia, a Otan tornou-se não só uma plataforma ainda mais importante para a cooperação entre Europa e América do Norte, como também um mecanismo de defesa e de segurança entre os aliados europeus". O resultado do plebiscito provocou, na sexta-feira, a desvalorização de 10% da libra esterlina e a maior queda das Bolsas de Valores europeias em um período de cinco anos. Hoje, o mercado financeiro mundial continuou instável, apesar dos esforços dos líderes europeus para acabar com a incerteza política e econômica desencadeada pelo plebiscito britânico. O ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, disse que a economia britânica é forte o suficiente para lidar com a volatilidade causada pelo plebiscito. Portugal: proposta de consulta não recebe apoio de lideranças políticas A deputada portuguesa do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, sugeriu ontem, em Lisboa, que seja feito plebiscito nacional para definir a posição de Portugal na UE. Catarina afirmou que, caso o país seja alvo de sanções por parte da Comissão Europeia devido ao déficit orçamentário de 2015, deve avaliar se continua na UE. A sugestão da deputada vem depois de a Grã-Bretanha ter decidido deixar o bloco europeu. De acordo com informações divulgadas hoje pelo jornal francês Le Monde, a Comissão Europeia deverá recomendar a aplicação de sanções a Portugal e Espanha por déficits excessivos, no próximo dia 5 de julho. - Virá o tempo de decidir. Queremos um plebiscito agora? Nunca colocamos nenhuma consulta popular na gaveta. Virá esse dia de plebiscito e virá em breve - disse a deputada Catarina Martins. No entanto, poucas horas depois do pronunciamento de Catarina Martins, o presidente português e líderes de outros partidos se manifestaram contra a realização de um plebiscito no país. O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o país "quer continuar na União Europeia" e disse que, como a decisão de lançar um plebiscito cabe a ele, essa questão não está em análise. Rebelo de Sousa disse ainda que é importante que se definam rapidamente como ficarão as relações entre a União Europeia e a Grã-Bretanha. Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, afirmou que não é hora de se pensar em plebiscitos e, sim, de defender a Europa e os povos europeus. Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do Partido Socialista (PS), também se posicionou contra a possibilidade de um plebiscito e disse ser momento de repensar o projeto europeu. Já Assunção Cristas, líder do Partido do Centro Democrático Social (CDS), discordou sobre a possibilidade de um plebiscito e afirmou ser o momento de refletir sobre "como tornar a Europa mais próxima dos cidadãos". Pedro Passos Coelho, presidente do Partido Social Democrata (PSD), rejeitou a hipótese de um plebiscito e afirmou que não há razões para Portugal ser alvo de sanções por parte da Comissão Europeia. O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, disse que não há necessidade de plebiscito, mas afirmou que o país deve estar preparado para "se libertar da submissão ao euro". O líder comunista afirmou ainda que a saída da Grã-Bretanha da UE foi "uma vitória sobre o medo" e uma maneira de mostrar a rejeição às políticas europeias. Com informações da Agência Brasil

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