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Apesar de forte, setor de lácteos ainda é dependente do mercado externo

Em quarto lugar no mundo e respondendo por 5,4% do Valor Bruto da Produção Agropecuária brasileira e 17% da...

Conjuntura / 08 Novembro 2018

Em quarto lugar no mundo e respondendo por 5,4% do Valor Bruto da Produção Agropecuária brasileira e 17% da produção da pecuária nacional, o setor de lácteos, composto por produtores de leite e seus derivados (como creme de leite, leite em pó, iogurte, manteiga e queijos em geral) produziu R$ 30,4 bilhões em 2017 somente na parte agrícola. Os dados fazem parte de um estudo recente coordenado pela pesquisadora do GVAgro, órgão da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Talita Priscila Pinto.

Com a inflação baixa e a retomada gradual do emprego no país, o mercado de lácteos vive a expectativa de recuperação e aumento do consumo de seus produtos este ano. "É bem interessante. O segmento é muito forte, com representantes em todos os estados brasileiros. Mesmo assim, ainda é dependente do mercado externo", lembra Talita.

Em 2016, o valor total da produção industrial de leite e de seus derivados foi de R$ 54,4 bilhões, segundo o estudo da FGV, sendo que somente o valor da produção de leite atingiu cerca de R$ 17 bilhões, enquanto a fabricação total de laticínios atingiu R$ 37,6 bilhões, representando cerca de 70% do valor total de produção desse setor.

O levantamento reforça ainda que o consumo interno brasileiro é dependente do mercado externo, mesmo apresentando uma produção crescente desde a década de 1990. Atualmente a produção de leite está presente em todo o território nacional e em mais de 99% dos municípios brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destaca Talita em seu estudo.

A despeito da Venezuela e Arábia Saudita até 2017, não há um grande comprador das exportações brasileiras. As vendas de lácteos nacionais no mercado externo são pulverizadas entre diferentes países e a posição que esses países ocupam na importação de produtos de laticínios oscila ano a ano. Por outro lado, apenas dois países (Argentina e Uruguai) detêm ano a ano mais de 50% da pauta importadora da indústria láctea brasileira.

Pelo estudo liderado pela pesquisadora, o leite em pó se apresenta como o mais representativo para o setor, tanto em termos de exportação quanto de importação. No ano de 2017, esse derivado representou 72% do volume de lácteos exportados pelo Brasil, seguida por creme de leite (17%) e queijos (8%). De acordo com os dados mais recentes, essa sequência se manteve em 2018.

O leite em pó responde por 60% no volume de lácteos importados em 2017, seguido por queijos (14%) e soro de leite (12%). De acordo com os dados mais recentes, esse ranking também permanece inalterado em 2018.