Aneel quer torpedear privatização do setor elétrico?

Ag~encia se negou a conceder reajuste extraordinário, alegando falta de informações consistentes.

Acredite se Puder / 18:00 - 16 de out de 2019

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Ao não conceder reajuste tarifário extraordinário para as empresas de distribuição Cepisa, da Equatorial, e Ceron e Eletroacre, da Energisa, a Agência Nacional de Energia Elétrica não só afetou o comportamento das ações das controladoras – a Equatorial perdeu 4,95%, e a Energisa, 3,72% – como criou um ambiente altamente desfavorável para os planos governamentais de privatização. Para os analistas do Credit Suisse, as regras da Aneel não são claras, o que pode afetar as privatizações de outras companhias. Apesar de considerarem que as decisões do regulador não são finais, os técnicos acham que a pretensão da agência de estabelecer em 7,17% o custo médio ponderado de capital (WACC) regulatório das distribuidoras é inferior ao admitido pelo mercado, e isso provoca preocupação ao representar mudanças importantes para a metodologia atual.

O WACC é uma importante métrica para definir reajustes tarifários e deve refletir de forma adequada a combinação entre a proporção do capital próprio e de terceiros e o custo desses capitais. Desta forma, ressaltam, estabelecer custo abaixo do esperado acaba gerando perspectivas menos animadoras para as companhias quando houver revisões tarifárias. Os especialistas do banco suíço lembram que os leilões de privatização das três companhias incluíram muitas variáveis que ajudaram a atrair participantes, sendo que a mais importantes foi a possibilidade de solicitar revisão tarifária antecipada sobre a base de ativos regulatórios (RAB). A justificativa para a regra era que os investimentos não foram atualizados desde a última revisão tarifária em 2013.

A Aneel alega que a Energisa e a Equatorial falharam em fornecer dados consistentes e, em alguns casos, os dados não estavam cumprindo os requisitos regulatórios mínimos. Como consequência, a Aneel decidiu negar seu pedido de revisão tarifária em 2019 e propôs que as empresas apresentassem um novo pedido até 2020. Os analistas do Bradesco BBI acham que é possível a Aneel ter razão, admitindo que algumas informações sobre o capex e ativos pudessem estar faltando. Os do Itaú BBA só se preocuparam com os reflexos nos Ebtidas das duas empresas.

 

Units da Renova caem 25%

Em caráter de urgência e com a anuência dos controladores, Cemig e CG1 FIP Multiestratégia, a Renova Energia ajuizou pedido de recuperação judicial em São Paulo na noite da última terça-feira. No pregão da quarta-feira, depois que os investidores tomaram conhecimento através de fato relevante, as units da empresa registraram baixa superior a 25%, e, em outubro, o valor de mercado da companhia sofreu redução de 41,60%. Porém, duas subsidiárias ficaram fora do pedido da recuperação, por serem considerados operacionais e financeiramente equacionados: Brasil PCH, que possui 13 pequenas centrais com contratos firmados de longo prazo e garantia de receitas e de rentabilidade, sendo que em 2019 pagou R$ 86 milhões em dividendos; e Enerbrás e sua subsidiária Energética Serra da Prata, com 3 PCHs em operação, que gera em média R$ 20 milhões em dividendos por ano. O pedido de recuperação ajuizado contempla obrigações de R$ 3,1 bilhões, praticamente todo com bancos e demais credores; e uma parte trabalhista, de R$ 11,7 milhões.

 

Varejo norte-americano vendeu menos

Depois do aumento de 0,6% registrado em setembro, as vendas do varejo nos Estados Unidos caíram 0,3% em setembro, o que significa uma sinalização desfavorável para a saúde da economia. E isso desapontou os investidores, que não ficaram animados, e a bolsa norte-americana abriu em queda, com os três principais índices mostrando perdas. O S&P500 cedeu 0,21%, voltando para os 2.989,42 pontos, o Nasdaq recuou 0,37% para os 2.989,42 pontos, e o industrial Dow Jones caiu 0,15%, retornando para os 26.984,97 pontos.
O impacto da divulgação desses dados só não foi maior pois o Bank of America Merrill Lynch divulgou resultados acima das expectativas e suas ações subiram 2,72% para os US$ 30,55. No dia anterior, o JP Morgan Chase & Co e o Citigroup também divulgaram resultados maiores que os previstos, enquanto o Goldman Sachs e o Wells Fargo surpreenderam os analistas não confirmando suas projeções. E para preocupar mais os investidores, agora é a China que ameaça retaliar, caso os Estados Unidos não parem com o suporte legal aos manifestantes de Hong Kong que são contra as políticas de extradição.

 

Minério de ferro desaba na China

A cotação do minério de ferro continua em baixa na China. A tonelada do minério à vista com 62% de pureza no porto de Qingdao caiu 5,53%, sendo negociada a US$ 87,86.

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