Analistas comparam golpe na Bolívia ao de Pinochet no Chile

Dedo de EUA e Brasil na trama contra Evo Morales.

Internacional / 15:23 - 11 de nov de 2019

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O presidente da Sociedade Latino-Americana de Economia e Pensamento Crítico (Sepla), Julio Gambia, afirmou que a renúncia forçada do presidente da Bolívia, Evo Morales, é comparável a um golpe de Estado ocorrido há menos de meio século em outro país da região. “Temos que recuperar a memória histórica e pensar em 1973, no golpe de Estado no Chile que agora está sendo desafiado pela mobilização popular", disse Gambia em entrevista ao canal RT.

Gambia relembra as décadas que o povo chileno sofreu com as medidas do ditador Augusto Pinochet, estipuladas na Carta Magna do Chile e que hoje são combatidas pelo povo mediante protestos massivos por todo o país.

Evo Morales renunciou ao cargo neste domingo após um golpe de Estado iniciado pelos partidos opositores que perderam as últimas eleições presidenciais. O anúncio veio depois de os militares "sugerirem" que ele renunciasse. "Lamento muito este golpe. A luta não termina aqui", disse o presidente, durante discurso após a renúncia. "Até aqui, chegamos pela pátria, não pelo dinheiro. Se alguém diz que estamos roubando, que apresente uma prova sequer. [...] Não estou escapando. Nunca roubei, que demonstrem se roubei. Foi um golpe cívico-policial", frisou Evo Morales.

Ele ainda afirmou que sua renúncia se dava na intenção de pacificar o país, ao mesmo tempo em que condenou as atitudes dos líderes do golpe Carlos Mesa, candidato derrotado no último pleito, e Luis Fernando Camacho.

Foram descobertos áudios sobre a trama do golpe em que são mencionados os nomes de senadores americanos e um político de confiança de Jair Bolsonaro.

O vice-presidente boliviano, Álvaro Garcia Linera, também renunciou ao cargo e afirmou que "o golpe de Estado se consumou".

Minutos depois da renúncia de Evo, a presidente do Senado boliviano, Adriana Salvatierra, que seria a próxima na linha sucessória do país, renunciou ao cargo. O presidente da Câmara, Víctor Borda, havia renunciado mais cedo. A Constituição do país não diz quem herda o cargo em uma situação como esta.

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