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Alunos de educação a distância são quase 2 milhões no Brasil

Por Paulo Alonso.

Opinião / 14 Março 2019 - 11:14

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O preconceito contra a educação a distância, EAD, parece estar com os dias contados, e definitivamente, no país. De acordo com o censo EAD.BR, feito pela Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), 2017 registrou um número recorde de matriculados: 7.773.828. Os cursos que têm ampliado seu número de alunos são os de nível superior e de pós-graduação lato sensu, segundo o relatório.

O Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), confirma essa tendência. Enquanto o ensino presencial apresentou queda nas matrículas, a EAD registrou um crescimento de 17,6%, de 2016 para 2017. Os alunos dessa modalidade são quase 1,8 milhão, ou 21,2% do total de matriculados em todo o Ensino Superior.

Com o aumento da demanda, a oferta de cursos de alto nível também cresceu. Instituições renomadas apostam cada vez mais, com sucesso, em modelos de EAD também cursos de pós-graduações e MBAs. Comodidade, economia de tempo e flexibilidade, que permitem estudar em qualquer lugar e horário, são os principais atrativos para pessoas que têm carreiras mais consolidadas.

 

Quase 85% do total de alunos

concluíram o ensino médio na rede pública

 

As pessoas, por desconhecimento ou mero preconceito, pensavam no EAD como algo mais barato, não tão eficaz, que não favorecia a interação. Esses pensamentos não são condizentes com a realidade e nem com a verdade. Por lei, o diploma de uma graduação em EAD ou um certificado do curso de pós-graduação em EAD é o mesmo do presencial.

Uma das críticas ao modelo online, em especial aos MBAs, é o fato de não favorecer o networking, uma vez que os cursos não são ministrados em ambientes tradicionais, em salas de aulas. Importante ressaltar, todavia, que, em uma sala convencional, a aula é a mesma para todo mundo, enquanto que, no ambiente virtual, os conteúdos podem ser adaptados à demanda e divididos em básico, intermediário e avançado, por exemplo.

Estudo realizado pela plataforma Quero Bolsa conclui que o ensino a distância é uma opção para quem não pode estudar na idade ideal. Sete em cada dez pessoas que ingressaram em cursos de graduação a distância têm a partir de 25 anos de idade, ou seja, iniciaram a faculdade tardiamente.

O dado foi levantado pela equipe de Inteligência Educacional do Quero Bolsa, principal plataforma digital para inclusão de estudantes no ensino superior do país, ao avaliar os dados coletados pelo Inep para elaborar o Censo da Educação Superior 2017, o mais recente disponível.

O grupo de Inteligência Educacional comparou a distribuição por faixa etária dos ingressantes em cursos EAD com os alunos novos em cursos presenciais e constatou que a proporção é exatamente oposta. Ou seja, enquanto 71% dos alunos EAD ingressam mais tarde na graduação, 68% dos alunos ingressantes em cursos presenciais começaram a estudar na faixa etária adequada, ou seja, até os 24 anos.

Esse dado demonstra que a tecnologia tem o poder de incluir a parcela da população que, por diversas razões, perdeu a chance de cursar uma faculdade com a idade esperada para o curso e isso ocorre graças a dois fatores preponderantes, a mensalidade mais barata e a conveniência da facilidade de adequar a carga horária e os estudos à rotina de trabalho.

Ao avaliar a distribuição dos alunos ingressantes por faixas etárias, esse estudo observou que a grande concentração de novos alunos entre 17 e 24 anos em cursos presenciais, e uma distribuição mais homogênea, dos 17 aos 40 anos, nos cursos a distância. A partir daí os ingressos sofrem uma queda constante, mas o EAD inclui, proporcionalmente, três vezes mais estudantes do que os cursos presenciais nas demais faixas etárias analisadas.

Em ambas as modalidades de ensino, os alunos egressos de escolas públicas são maioria, mas, no ensino a distância, os alunos que concluíram o ensino médio na rede pública representam quase 85% do total, enquanto os que estudaram na rede privada correspondem a menos de 16%. Esse dado permite concluir que a renda média das famílias dos alunos que escolhem estudar a distância é inferior à daqueles que ingressam em cursos presenciais.

Já a distribuição por gênero e origem étnica do aluno do ensino a distância e do aluno presencial são muito parecidas e registram proporções bem semelhantes, com pequenas variações, como, por exemplo, a parcela de estudantes do sexo feminino no EAD ser ainda maior do que no presencial. Não é de hoje que as mulheres são maioria nas salas de aula das faculdades do país. De acordo com o último Censo, elas são quase 54% dos alunos no ensino presencial contra 58% no EAD.

Alunos brancos, seguidos pelos pardos, são maioria tanto nas salas de aula de cursos presenciais quanto entre os matriculados em graduações EAD. No entanto, a modalidade ainda não atingiu um percentual elevado entre os negros. A participação dessa parcela da população é ainda menor, representando apenas 5,25% das matrículas no EAD registradas em 2017, contra 6,85% dos ingressantes no ensino superior presencial.

A análise feita pela Inteligência Educacional do Quero Bolsa permite identificar o típico perfil do aluno que decide estudar graduação a distância. O aluno do EAD é tipicamente do sexo feminino, branco, entre 31 e 40 anos de idade, vindo das classes sociais mais baixas.

Importante ressaltar que o ensino a distância exige do aluno um comprometimento ainda maior com o curso, mais disciplina no cumprimento das tarefas e nas horas dedicadas ao estudo e às aulas. Se ele não tiver perfil para isso, o risco de desmotivar e abandonar o curso é alto.

O Brasil, de acordo com o Inep, abriga 2.448 instituições de ensino superior, sendo 88% delas privadas. Em 2017, havia 1,8 milhão de matrículas em cursos de graduação a distância em instituições privadas de todo o país.

A líder é a Unopar, originária do Paraná, e que, atualmente, pertence à gigante Kroton, com uma fatia de 22,5% desse total de discentes. Dentre as grandes, a carioca Estácio de Sá, sexta maior instituição em número de matrículas nessa modalidade do Brasil, já mapeou mais de 1.500 cidades que podem continuar recebendo polos de EAD. Em 2018, a Estácio contava com 531 mil alunos, sendo 212 mil no ensino a distância.

O EAD é uma alternativa de ensino que as pessoas têm encontrado para adquirir seu diploma – com horários e turnos de estudo flexíveis – e dessa forma conquistar um bom emprego ou subir de cargo dentro de uma organização. O que levou à ascensão desta modalidade de Ensino foi a evolução tecnológica. A relação entre aluno e professor ocorre com a ajuda de ferramentas online, que são disponibilizadas no portal da Instituição de EAD escolhida.

O EAD funciona de uma forma prática e simples. Para o ingresso em um curso EAD, o aluno precisa de um computador com acesso à internet e conhecimentos básicos de informática. Ao garantir esta primeira parte, o restante é mais simples ainda. Após a escolha do curso, da instituição e da aprovação no processo seletivo, faz-se o acesso ao site. Pronto, surge um ambiente inovador e dinâmico, onde serão disponibilizadas inúmeras ferramentas, como áreas com conteúdo de aulas, exercícios e trabalhos.

Em outra parte, encontra-se o calendário com as datas e prazos das atividades, além de locais para conversas e debates. Utiliza-se muito o e-mail para uma comunicação com o professor/tutor. Em algumas instituições de ensino a distância que oferecem graduação de nível superior, é importante a realização de encontros presenciais algumas vezes durante o curso. Estes encontros são realizados em unidades da instituição, os chamados polos de apoio presencial.

A maior parte do curso acontece de forma virtual. Por isso, quem tiver o interesse de ingressar nesta modalidade precisa ter disciplina, dedicação, organização e motivação. O público alvo do EAD são aquelas pessoas que possuem pouco tempo livre e que precisam conciliar emprego e estudo, além de muitas vezes ainda terem que cuidar das atividades rotineiras, como casa e filhos. O EAD atrai esse perfil de pessoas, pois é o aluno que monta seus horários de estudo, podendo assim estudar durante a semana ou só nos finais de semana, na parte da manhã, tarde, noite ou até mesmo de madrugada.

O EAD é visto como o elemento de união de pessoas que se encontram em locais distintos, mas que podem se relacionar em tempo real. A vontade de aprender e crescer profissionalmente depende de cada pessoa, mas o que não se pode negar é que hoje em dia existem muitas alternativas para o ingresso em uma instituição e realização de um curso que possibilite a obtenção e conquista de novos caminhos. O EAD veio, na realidade, para acabar com as barreiras existentes na expansão educacional no Brasil, o que é muito bom, levando-se em conta não somente a sua dimensão continental, mas também a necessidade de se desenvolver o próprio país.

 

 

Paulo Alonso

Jornalista e dirigente universitário.

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