Alto nível de inadimplência engessa crescimento brasileiro

Questão crônica já inserida em meio ao consumo da população.

Empresas / 21:54 - 7 de jan de 2020

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Estudo realizado durante dois meses com executivos da área de cobrança aponta que os atuais níveis de inadimplência representam um grande problema para a economia do país. Conforme o levantamento, a inadimplência atrapalha o crescimento econômico brasileiro. Entre os participantes, cerca de 97% dos profissionais o contexto é bastante prejudicial, destaca o levantamento “Desafios e Tendências do Cenário da Inadimplência no Brasil”, elaborado pelo Instituto Locomotiva em parceria com o serviço de cobrança digital Negocia Fácil e a organização CMS.

A CMS é a organização mundial especializada na geração de oportunidades para a indústria de crédito, por meio do compartilhamento do conhecimento, a inovação e a visão de futuro em seus eventos. Já organizou mais 350 congressos, seminários, oficinas, workshops e cursos de capacitação em mais de 20 países da América e Europa, reconhecidos como os mais importantes do setor pelos executivos líderes e formadores de opinião em cada um desses mercados.

Dos entrevistados, 60% afirmaram ao estudo que a inadimplência é uma questão crônica já inserida em meio ao consumo da população do Brasil. Os outros 37% ouvidos na pesquisa consideram essa situação um transtorno pontual, motivado pelo atual momento da economia do país. Ainda segundo o levantamento, nove em cada 10 desses executivos consultados avaliam que o país vive uma crise econômica.

Realizada entre os meses de setembro e outubro deste ano, a pesquisa tem como finalidade entender melhor quais eram os desafios dos profissionais do ramo em fazer a recuperação de crédito. Outro objetivo é também analisar as principais tendências do setor para os próximos anos. Um dos destinos verificados por essa análise foi sobre o futuro do sistema bancário brasileiro.

A inadimplência tem um alto impacto não só no cotidiano de quem vivencia essa realidade; como na economia de modo geral. O brasileiro com as suas contas pagas vive melhor e é mais produtivo. A reação da nossa economia devolverá não só o poder de compra às pessoas, mas a sensação de dignidade, o bem-estar”, comenta Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

 

Tendências

 

Segundo o estudo, 84% dos executivos ouvidos apontam que os bancos digitais são o futuro do sistema bancário brasileiro. Ainda entre o total de entrevistados, 81% deles disseram que as suas respectivas empresas estão pouco ou nada desenvolvidos em relação à cobrança digital.

Essa tendência mostra que ter uma opção de cobrança pode destacar uma empresa dos demais e mostra que ela se importa com seus devedores, ao disponibilizar mais um canal de negociação. Além disso, esses resultados mostram como o consumo tem caminhado cada vez mais para o digital, avalia José Moniz, head de Negócios Digitais do Negocia Fácil.

A pesquisa também mostra que 68% das empresas do ramo de crédito já usam um modelo misto de cobrança, envolvendo a modalidade digital e o tradicional. Conforme o levantamento, a metodologia de recuperação digital conta com o maior potencial de sucesso. Essa resposta foi dada por 43% dos entrevistados. Outros 41% acham que o uso desse sistema com o convencional deve ser o mais bem-sucedido.

Sobre tendências para o segmento nos próximos anos, o estudo do Instituto Locomotiva/Negocia Fácil/CMS destaca que o modelo de recuperação de crédito digital é visto por 65% dos executivos com o maior potencial de desenvolvimento. Para 28%, essa metodologia junto com a tradicional deve se expandir. Só 1% apostam no modelo convencional de cobrança.

 

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