Alívio na tensão geopolítica

Depois dos dois últimos pregões tensos da semana passada, ontem investidores e mercados demonstram-se mais calmos.

Opinião do Analista / 11:49 - 7 de jan de 2020

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Depois dos dois últimos pregões tensos da semana passada, ontem investidores e mercados demonstram-se mais calmos. A Bovespa chegou a tangenciar a estabilidade, mas fechou pressionada pela expectativa de reunião com a Petrobras, mostrando queda de 0,70% e índice em 116.877 pontos. Os índices do mercado americano fecharam todos no campo positivo.

Hoje, com o alívio na tensão geopolítica, surgiu espaço para recuperação dos mercados e as Bolsas estão começando o dia em alta, dólar mais forte no mercado internacional e juros dos treasuries em alta. Na Ásia, os mercados fecharam com altas, e destaque para a Bolsa de Tóquio com +1,60%. Na Europa, mercados começando o dia com boas recuperações e futuros do mercado americano também no campo positivo. Aqui, devemos seguir o comportamento dos mercados no exterior e incorporando ainda certo alívio sobre a Petrobras.

Alívio também por conta da ausência de notícias sobre agravamento da crise entre EUA e Irã. No Japão, o PMI do segmento de serviços em dezembro encolheu para 49,4 pontos (vindo de 50,3 pontos) e o composto, que inclui indústria, em queda para 48,6 pontos, de anterior em 49,8 pontos. Já na China, as reservas internacionais de dezembro cresceram US$ 12,3 bilhões para US$ 3,18 bilhões, no maior patamar dos últimos seis meses.

Na Zona do Euro, a inflação medida pelo CPI (consumidor) de dezembro foi de 1,3%, com núcleo idêntico em 1,3% e abaixo da meta do BCE. As vendas no varejo de novembro também deram tom positivo com expansão de 1%, quando o previsto era +0,6%. Isso também ajuda o comportamento dos mercados da região. Nos EUA, ainda não há decisão sobre a retirada das tropas do Iraque, conforme votado pelo Parlamento iraquiano, somente com a presença de xiitas.

O irã é que está chamando as representações de países que se posicionaram sobre o ataque, dentre eles o Brasil, com o Itamarati dizendo que não divulgará qualquer comunicado sobre isso. No mercado internacional, o petróleo WTI mostra queda de 0,60% em Nova Iorque, com o barril cotado a US$ 62,89, e o Brent em queda para US$ 68,44. O euro era transacionado em queda para US$ 1,117 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,807%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

Aqui, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que não recebeu nenhuma pressão, pedido ou sugestão para baixar preços de derivados. Bom, presidente, não se trata de baixar e sim de não aumentar, casos as pressões persistam.

A Fipe divulgou o IPC fechado de dezembro com inflação subindo 0,94% (anterior em 0,68%), acumulando alta em 2019 de 4,40%. Já o ministério das Minas e Energia, disse que terá instrumentos para que o país não fique refém das crises do petróleo. O ministro Albuquerque disse que não se trata de subsidiar. A FGV anunciou que o indicador de desemprego ICD recuou 0,8 pontos em dezembro e o indicador antecedente de emprego avançou 1,5 pontos.

No mercado local, a expectativa é de Bovespa seguindo o exterior mais favorável em recuperação, o dólar um pouco mais forte e juros em queda. Porém, os investidores deverão ficar de olho no noticiário proveniente do Oriente Médio.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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