Ajuste externo e credibilidade

Opinião do Analista / 12:54 - 27 de nov de 2002

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Além da aceleração da inflação, o restabelecimento da confiança junto ao mercado financeiro internacional corresponde, também, a um dos grandes desafios para a próxima administração. Mesmo considerando-se um forte diminuição do déficit em conta corrente para 2003 (a estimativa do BC divulgada ontem gira em torno de US$ 8 bilhões), a necessidade bruta de financiamento externo da economia brasileira no ano que vem ronda a casa dos US$ 36 bilhões. Isto porque no próximo ano vencerão US$ 28 bilhões em amortizações da dívida externa. Se entrarem uns US$ 12 bilhões em investimentos diretos, faltarão US$ 24 bilhões para bancar os pagamentos de principal da dívida externa. E para enfrentá-los o Brasil contará com um montante bem menor em termos de reservas livres: cerca de US$ 13 bilhões. Nesta conta o dinheiro do FMI não entra pois o acordo firmado prevê a manutenção de um piso mínimo de reservas livres (reservas brutas menos o dinheiro do FMI) de US$ 5 bilhões. Assim, os recursos aportados pelo organismo internacional só poderiam ser utilizados para financiar as amortizações da dívida externa, basicamente do setor privado, se o FMI permitir o Brasil ter reservas líquidas negativas. O que seria um péssimo sinal para os investidores externos e uma clara demonstração de fragilidade. E o problema não pára por aí. Em 2004 o volume de amortizações ainda é enorme (US$ 28 bilhões excluindo-se os recursos do FMI e de outras operações de regularização) e só a partir daí é que começaremos a ter um alívio (cai para US$ 20 bilhões em 2005 e US$ 16 bilhões em 2006). Portanto, o restabelecimento da credibilidade no exterior é fundamental para que o crédito externo retorne e viabilize a rolagem da dívida externa brasileira, tanto do setor público quanto do setor privado. Do contrário o ajuste continuará sendo feito com dólar alto gerando mais superávit na balança comercial, fazendo a necessidade de recursos caber no tamanho da disposição dos agentes externos em financiá-la. Luiz Rabi Economista-chefe do BicBanco.

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