Agropecuária e indústria influenciam queda de 0,2% do PIB em julho

Consumo das famílias cresceu 2,2% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo trimestre de 2018.

Conjuntura / 12:02 - 17 de set de 2019

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O Monitor do PIB-FGV aponta, nas séries dessazonalizadas, queda 0,2% do PIB da atividade econômica em julho, em comparação a junho. Na variação trimestral móvel (maio, junho e julho) comparado ao trimestre (fevereiro, março e abril) a atividade econômica apresentou crescimento de 0,5%.

Na comparação interanual a economia cresceu 0,8% em julho e 1,3% no trimestre móvel terminado em julho, mantendo o crescimento da taxa acumulada em 12 meses em 0,9%.

"A economia continua travada, com sinais conflitantes: Na série dessazonalizada, caiu 0,2 no mês de julho contra junho e na variação trimestral móvel (maio, junho e julho) comparada ao trimestre anterior (fevereiro, março e abril) cresceu 0,5%. Por sua vez nas taxas interanuais cresceu 0,8% no mês e no trimestre móvel cresceu 1,3%, mantendo a taxa acumulada em 12 meses nos 0,9%, um pouco abaixo da taxa alcançada no segundo trimestre divulgada pelo IBGE. Entre os três grandes setores, a agropecuária e a indústria apresentam taxas dessazonalizadas negativas, salvando-se o setor de serviços que apresenta taxa positiva pelo quarto mês. Na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento continua fraco (1,3% para o PIB), mas os três grandes setores têm taxas positivas como já ocorre há pelo menos 3 trimestres móveis. O PIB continua desde o trimestre findo em maio de 2017, apresentando taxas trimestrais positivas, com média de 1,2% para todo o período. Os dados mostram que, apesar do crescimento, a economia ainda não consegue se libertar da armadilha do baixo crescimento da economia, em torno de 1%." afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

A queda de 0,2% da economia observado em julho, em comparação a junho, é explicado, principalmente pela agropecuária (-1,3%) e indústria total, puxada pela eletricidade (-3,6%), transformação (-1,1%) e construção (-1,1%). Na comparação da série sem ajuste sazonal, o crescimento de 0,8%, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, foi impulsionado, principalmente, pelo setor de serviços (1,8%), em que todos os componentes apresentaram crescimento. Pela demanda, o consumo das famílias cresceu 2,5%, a importação voltou a crescer (1,4% ante -2,0% no mês anterior) e as demais séries contribuíram negativamente (consumo do governo -0,3%, formação bruta de capital fixo -0,8% e exportação -2,8%).

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

 

Consumo das famílias - O consumo das famílias cresceu 2,2% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Desde o terceiro trimestre de 2018, o consumo de serviços tem sido o principal responsável pelo crescimento deste componente (contribuição de 1,2 p.p. neste trimestre móvel), seguido pelo consumo de duráveis (contribuição de 0,6 p.p. no trimestre móvel findo em julho).

A formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceu 3,7% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Mais uma vez, máquinas e equipamentos foi o componente que mais contribuiu para este crescimento (2,1 p.p.). Também contribuindo positivamente, os componentes de construção e de outros da FBCF contribuíram neste trimestre, conjuntamente, em 1,6 p.p. para a taxa de variação do total da FBCF.

A exportação apresentou queda de 0,5% no segundo trimestre móvel findo em julho, em comparação com o mesmo trimestre de 2018. Os únicos componentes que apresentaram contribuição positiva foram bens intermediários (4,7 p.p.) e bens de consumo (0,4 p.p.). É o primeiro resultado negativo na série de exportação de produtos da extrativa mineral em um ano, reflexo do desastre de Brumadinho.

A importação cresceu 3,9% no trimestre móvel findo em julho, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. As importações da extrativa mineral (16,8%), bens intermediários (12,2%) e serviços (4,2%) foram os destaques positivos da série. As séries de produtos agropecuários (-6,7%), bens de consumo não duráveis (-7,9%), bens de consumo duráveis (-15,3%) e bens de capital (-17%) contribuíram negativamente no trimestre.

Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente R$ 4.107.496.000.000 no acumulado até julho do corrente ano.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 18,2%, em julho, na série a valores de 1995.

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