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Agora ou você é esquerdista ou é bolsominion

Por Marcos Klein.

Opinião / 18 Janeiro 2019 - 17:39

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Segundo o Wikipédia, ideologia é “sinônimo ao termo ideário, contendo o sentido neutro de conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas. Para autores que utilizam o termo sob uma concepção crítica, ideologia pode ser considerado um instrumento de dominação que age por meio de convencimento (persuasão ou dissuasão, mas não por meio da força física)”.

A ideologia orienta o que significa certo e errado para alguém. O que deve ser consumido e o que não se deve. Quem deve ser protegido e quem deve ser atacado. Considerando a ideologia como orientação e instrumento de dominação, é possível compreender a demarcação eleitoral e a polaridade de pensamentos que atinge a população brasileira.

Quando estava na faculdade, costumava sair muito pra noitada. Na época, era comum dizer que tais lugares (Zona Sul do Rio) eram “alternativos”. Isto sempre me intrigou: “Alternativo ao que?” Nunca me achei diferente por ir a um local que tocasse músicas antigas ou fora do circuito mainstream. Nunca me achei cult por ver filmes do Woody Allen ou de qualquer outro ícone do cinema. Senso comum. Tão comum quanto um pôster do Pulp Fiction em uma startup.

 

Tudo parece um grande teatro

e que está tudo combinado

 

Usar o termo “alternativo” é muito exagerado. Nada mais é do que a manifestação de um outro pacote de consumo, outro nicho de mercado. Como pode uma pessoa ser alternativa se as roupas que ela usa estão na revista Vogue?

Outro dia fui trabalhar como cinegrafista em uma “festa de playboy” (o oposto de alternativo) no Joá. Lá, fui abordado por duas jovens, provavelmente universitárias, que me fizeram a seguinte pergunta: “Você é, né?”. Na hora fiquei sem entender. “Sou o quê?”

Elas levantam um casaco, como se tivessem escondendo uma coisa inapropriada, e mostram uma camisa: “Lula Livre”. Não sei se era o fato de eu estar com câmera, ser barbudo ou sei lá qual elemento visual fez com que ela tentasse prever a minha ideologia.

Depois de sofrer o golpe parlamentar, o PT sabia que a estratégia agora era se apropriar dos movimentos sociais. Falar em nome deles. Conseguir com que Lula fosse legitimado como garoto-propaganda defensor das minorias. Não só das minorias, dos alternativos também. Usaram o argumento ideológico e se disseram de esquerda.

Mais uma vez: “Alternativos ao quê?”. Na minha cabeça, ser alternativo é bater de frente, não lutar pelo sucesso do seu padrão de consumo. Nenhuma revolução ou luta democrática deve ser creditada a um líder partidário. Vale lembrar que esse mesmo partido assinou a lei antiterrorista como resposta às manifestações de 2013.

Infelizmente, a agenda de diversos veículos “de direita” é bater em feminista, negro “vitimista” e no movimento LGBT. Formar curral eleitoral. Neste caso, os partidos “da esquerda” aparecem para defender e falar em nome dos oprimidos por tais veículos. É claro que essas minorias precisam ter voz, mas nesse caso eu vejo como apropriação do discurso e demarcação ideológica (estratégia para ter votos).

Eu me pergunto o quanto isso tudo não passa de um grande teatro e não está tudo combinado. Dizem por aí que “eles” controlam os dois lados.

Na minha época de noitada, quando ninguém relacionava comunismo ao Brasil (mesmo com o PT no poder), ou você era playboy ou alternativo. Agora ou você é esquerdista ou bolsominion, cada um lutando pelo sucesso do seu padrão de consumo.

Claro que o primeiro turno das eleições também mostrou que 15-20% da população enxerga caminhos na “centro-esquerda”, “centro-direita” e “Anti Nova Ordem Mundial” (Cabo Daciolo).

 

 

Marcos Klein

CEO da Primetime Projetos Empreendedores.

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