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Afaste-se das más companhias!

De modo geral, toda mãe sempre dá os mesmos conselhos aos filhos: – Leve um agasalho! – Tá levando a...

Seu Direito / 27 Agosto 2018

De modo geral, toda mãe sempre dá os mesmos conselhos aos filhos:

Leve um agasalho!

Tá levando a chave?

Não volte muito tarde!

Juízo!

Afaste-se das más companhias!

A frase “diga-me com quem você anda e eu direi quem você é” é das mais corriqueiras entre as mães (pelo menos era com a minha) e é constantemente associada a uma pregação de Jesus, mas de fato não está na Bíblia nem foi dita por Ele aos seus apóstolos. É um dito popular de grande sabedoria e, talvez por isso, sempre esteja associada a algo sacro, divino, espiritual. As mães têm razão. Certas companhias realmente sujam a nossa biografia, “queimam o nosso filme”, como diz a rapaziada de hoje. Melhor andar só.

Os jornais publicaram que uma mulher na Bahia fora condenada a oito meses de prisão por calúnia por ter chamado um vizinho de “advogado de Lula” (processo 0003985-07-2017-8-05-0150). A confusão começou quando o “ofendido” reclamou de cerimônias religiosas muito barulhentas no condomínio onde ele e a “agressora” moravam. A mulher, num grupo de WhatsApp de cerca de 200 participantes, chamou o sujeito de “advogado de Lula”, mas deu outra versão dos fatos. Segundo ela, teria obtido uma liminar para obrigar o filho de um morador a derrubar um pinheiro do terreno da casa, mas o ato judicial fora impedido pelo pai do morador, que teria dito ao pessoal da Prefeitura que “tinha poder” e que não iria deixar a árvore ser cortada. Aí, a vizinha faladeira teria desancado o sujeito num grupo de WhatsApp dizendo que era para o pai dele não vir arrotando poder e “não dar uma de advogado de Lula”. A família do rapaz processou a mulher do WhatsApp por calúnia, mas por outro fundamento: acusação de desobediência a ordem judicial e de tráfico de influência.

A mulher acusadora confessou que de fato o rapaz não estava cumprindo a ordem judicial e que o comparou ao “advogado de Lula” porque ele não respondia a nenhuma pergunta que ela fazia. Na primeira instância, a mulher foi absolvida. No tribunal, contudo, a desembargadora Eliene Simone Silva Oliveira entendeu que a condômina tinha praticado crime de injúria contra o outro morador e que associá-lo ao “advogado de Lula” agravava o crime porque o comparava a alguém “sabidamente envolvido em escândalos, em especial tráfico de influência e corrupção”. Aumentou a pena de 1/3. Como a ré é primária e de bons antecedentes, a pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade.

Ainda não se sabe em quem a moradora faladeira pretende votar nas próximas eleições. Suponho que não seja no PT ou em ninguém ligado ao Lula. Ou até mesmo nem no próprio Lula, se o partido dele insistir em mantê-lo no páreo. Engraçado mesmo foi o que ouvi na noite de sábado num canal de televisão cujo nome não revelo para evitar problemas com o meu mirrado saldo bancário. Lá pelo meio do jornal o pessoal deu de noticiar o dia a dia dos candidatos à eleição presidencial. Que Geraldo Alckimim estava não sei onde, que Marina falou a não sei quem sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres, que Bolsonaro disse que iria mandar prender e arrebentar não sei quantos, e que o Cabo Daciolo estava na Bahia pedindo a proteção dos orixás depois de pedir em nome do sangue de Jesus que lhe dessem forças para derrubar todos os templos de maçonaria.

Até aí, tudo dentro do previsível. Cômico mesmo foi a nota final do jornal: “O comitê de campanha de Lula não informou a agenda de campanha do candidato”. Realmente, esse “comitê de campanha” falhou feio. Fomos privados de saber que, pela manhã, Lula jogou uma pelada com o pessoal da administração do presídio e que o jogo terminou em 3 a 0 para o pessoal do Almoxarifado, com um gol contra de Lula. Depois, almoçou feijão, arroz, macarrão, ovo frito e uma caninha “Cascavel”, que alguém se dizendo advogado dele o visitou por uns 15 minutos, tirou uma boa soneca à tarde porque a pela de manhã fora muito disputada e depois fez comício ao pessoal do Pavilhão 7 trepado num caixote de maçã argentina, prometeu anistiar todo o pessoal da Ala Norte ligado aos desfalques na Petrobras e os companheiros da Lava Jato em Curitiba.

Ah, sim, que mandaria o CNJ aposentar Sérgio Moro por excesso de competência e chamaria a companheira Dilma para ocupar o Ministério das Minas e Energia porque ficou encantado com aquela ideia que ela deu na ONU de “estocar vento” (Disponível em: https://www.google.com/search?q=dilma+vai+estocar+vento&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab).