Adoção de idosos é ineficiente e não soluciona a vida dos mais velhos

Especialista em longevidade considera iniciativa pouco efetiva sob todos os pontos de vista.

Conjuntura / 12:46 - 17 de jan de 2020

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O especialista em longevidade Sergio Serapião defende a implantação de políticas públicas que visem à criação de oportunidades de trabalho, empreendedorismo e voluntariado para seniores, em vez de adoção de idosos.

No último dia 12, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves anunciou que planeja sugerir ao Congresso uma proposta para permitir a "adoção" de idosos em estado de abandono ou vulnerabilidade no país.

"A ideia é ineficiente e não soluciona a vida da população sênior no Brasil", diz.

Serapião lembra que o retorno da população mais velha ao mercado de trabalho tem um impacto direto na saúde deles e, também, na sua autonomia. "Além de gerar renda complementar, o trabalho melhora a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar do idoso", explica Serapião.

O Brasil tem hoje 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos.

"Só que apenas 30% dos idosos do país estão em um estado de dependência ou semi dependência; os outros 70% são ativos", afirma Sergio Serapião, que é credenciado como empreendedor social pela Ashoka.

Ele afirma, contudo, que a jornada de trabalho recomendada para o idoso deve ser diferenciada, não ultrapassando as 24 horas semanais, para não incorrer em prejuízos para a saúde do sênior.

Segundo Serapião, "pessoas maduras tendem a performar melhor quando é necessário criar empatia com o público e promover acolhimento".

"Idosos não são o problema e, sim, a solução. Existe um potencial positivo nesta população, que deve ser aproveitado pelas organizações, com ganhos para toda a sociedade. A empresa se beneficia e o colaborador também", explica.

Segundo Serapião, o processo de adoção seria complexo e envolve muitas particularidades.

"Vemos que, mesmo no caso de crianças, especialmente quando não são bebês, há entraves e problemas e é comum o processo não ser bem-sucedido. No caso do público mais velho, é ainda mais difícil a adoção dar certo, pois entram questões comportamentais e práticas, como discussões em torno da herança e interesses financeiros. Definitivamente, esta iniciativa não seria nada efetiva e pode colocar em risco uma população que tem certa renda assegurada", conclui.

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