A profissão de psicólogo

Opinião / 15:08 - 17 de jan de 2001

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Pensar a profissão de psicólogo nos faz olhar para um processo de construção social do sentido atribuído a este fazer ao longo do tempo. A Psicologia tem superado sua identidade exclusivamente advinda da clínica individual e ganhado o espaço coletivo, se emaranhado na pluralidade das relações e espaços sociais de construção do cotidiano brasileiro. Se olhamos o processo de construção das relações sociais no Brasil, percebemos que a dificuldade de conviver com a diferença, criando inúmeras formas de segregá-la, torna nossa sociedade cada vez mais fragmentada, forçando de forma perversa o excluído a se sentir incapaz, colocando nele a responsabilidade pela sua não inserção. Assim o desempregado se sente incapaz, a criança se percebe burra, a mulher e o negro absorvem sua inferioridade, o louco se acha perigoso... e vamos justificando e perpetuando uma política de exclusão que hoje segrega a maior parte dos brasileiros da condição de cidadão. Este esquema viciado tem produzido sofrimentos importantes e determinado uma construção fragmentada das subjetividades. O psicólogo tem ousado se colocar como profissional capacitado para trabalhar com esta rede de determinações, ajudando indivíduos e grupos a rescreverem suas histórias, recuperando sua possibilidade de ser protagonista de sua própria vida. Esta inserção tem sido marcada pela pluralidade. Hoje temos o psicólogo trabalhando na área da saúde (dentro desta em espaços gerais, unidades de saúde mental, hospitais, consultórios particulares), da educação, da justiça, do trânsito, da psicopedagogia, do trabalho, nos diversos espaços de atenção à criança e adolescente, nas prisões, aliando seu trabalho cotidiano ao esforço coletivo de construção de políticas públicas de qualidade. Tem ocupado e inovado em espaços como a psicologia do esporte, no trato com as relações mediadas por meio remoto, tem amadurecido sua atividade de pesquisa e produção de conhecimento, enfrentando recentemente um profundo debate sobre seu processo de formação. Enfim, o psicólogo tem se aberto para as múltiplas questões colocadas pela sociedade nesta virada de milênio. A psicologia brasileira num evento recente realizado pelos Conselhos de Psicologia do Brasil: a I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia: Psicologia e Compromisso Social, que reuniu quinze mil pessoas, mostrou que tem assumido este desafio de ser parceira e protagonista nesta constante busca por um processo de transformação social no Brasil, consciente de que o fazer profissional não é neutro e assim imprimindo neste uma intencionalidade. Lumêna Almeida Castro Furtado Presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo

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