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A permanentemente ameaçada economia do Terceiro Mundo

Internacional / 13 Julho 2018

Havana (Cuba) – Um grupo de jovens professores pesquisadores do Centro de Pesquisas de Economia Internacional ofereceu compilados em um volume único seus longos anos de estudo sobre o tema deste título. O resultado do longo trabalho de pesquisa, condensado em nove capítulos, resume de forma integral e coerente os principais problemas econômicos que têm afetado os países da América Latina, este verdadeiro Terceiro Mundo cuja população soma 3/4 da população total da humanidade.

A pesquisa não aborda somente este problema em nível macroeconômico, mas também aproxima-se dos principais setores e esferas, assim como a inaudível situação de dependência externa que caracteriza a economia destes países. A pesquisa, que é um longo aparato, define a situação particularmente dramática para as economias dos países pesquisados e que, para a maioria dos especialistas e instituições de pesquisa econômica, é reconhecida como uma longa e interminável etapa da crise de desenvolvimento que assola o denominado Terceiro Mundo.

 

Professores analisam problemas

e dependência da América Latina

 

Também mostra como esta realidade engloba-se no contexto mais completo da situação da economia internacional capitalista. A diferença entre o dinamismo econômico apresentado pelos principais Estados capitalistas industrializados e a crescente marginalidade e empobrecimento das economias dos países subdesenvolvidos é constatada ao longo do texto da pesquisa.

A leitura permite compreender que a crise econômica não depende somente de fatores externos e de ordem conjuntural, mas também responde à crise de funcionamento de suas próprias economias capitalistas, de suas insuficiências e contradições insolúveis no panorama econômico mundial cada vez mais injusto.

A pesquisa analisa esta problemática partindo de elementos históricos, a homogeneidade desta característica, e seus resultados não extrapolam mecanicamente a todos os países subdesenvolvidos, mas que a heterogeneidade existente entre eles e, inclusive, até seu interior destaca-se em cada enfoque realizado pela pesquisa e seus autores.

 

Caminho asiático

 

Não poderia ser esperada outra explicação, considerando que o desenvolvimento desigual do capitalismo em escala mundial ao longo das décadas passadas revelado e confirmado com força particularmente aguda. A pesquisa incursiona entre as novas formas e estruturas capitalistas que foram forjadas no interior da crise ao longo das décadas de 1970, 1980, 1990 e mantêm-se, também, ao longo desta década, configurando uma nova estrutura socioeconômica, principalmente, entre os países da América Latina, e prossegue envolvendo os continentes subdesenvolvidos da África e Ásia.

Os autores da pesquisa anotam, também, que a tentada adoção do modelo neoliberal nos países da América Latina e Caribe tem sido, no mínimo, uma incidência negativa em suas economias, e somente os NICs (Novos Países Industrializados, sigla em inglês) do Sudeste Asiático apresentaram indicadores dinâmicos em seu desempenho.

Evidencia-se que estes países orientaram suas economias ao desenvolvimento dos processos destinados à sua industrialização de produtos manufaturados. Estas políticas foram apoiadas pelas respectivas participações estatais de seus países – como foram os casos da Coreia do Sul e de Taiwan – e definidas sobre a base do critério de planificação indicativa segundo as prioridades propugnadas pela política industrial de cada país.

Prosseguindo, a pesquisa aborda os problemas e tendências dos setores de agricultura e alimentação, exibindo em ampla profusão de dados estatísticos a situação de fome e desnutrição que assolam os países subdesenvolvidos da América Latina.

E neste importante capítulo afirma-se que, “a agricultura na América Latina apresenta um processo interno de desintegração das economias campesinas, e muitos pequenos agricultores foram convertidos em trabalhadores assalariados durante três a seis meses do ano, trabalhando o restante dos meses em suas próprias terras, hábito que gerou o denominado Exército Agrícola de Reserva”.

Certamente, apesar de este aspecto ser muito contraditório, mas de suma importância para compreender o comportamento das economias latino-americanas ao longo de várias décadas, os autores não detalham e não tomam partido de explicar mesmo que seja superficialmente esta situação tão sui generis, limitando-se apenas a assinalar que “existe uma grande diversidade de critérios para explicar o comportamento contraditório do setor em condições prolongadamente recessivas”.

 

Termos da retórica

 

Os processos de integração e cooperação econômica entre os países subdesenvolvidos pesquisados são abordados detalhadamente pela pesquisa. Todavia, os autores da pesquisa definem e diferenciam cooperação e integração econômica como sendo os termos característicos da etapa atual do mundo, mero reflexo da internacionalização da economia, a divisão internacional do trabalho e o progresso científico-técnico.

A conclusão fundamental a que chegaram os autores desta pesquisa é que os projetos de integração e de cooperação não formaram, ao longo das décadas passadas, parte substancial das políticas econômicas dos países subdesenvolvidos em seu conjunto.

Além disso, percebe-se que não existem estratégias nacionais definidas para alcançar os objetivos, se bem que a integração e a cooperação são termos da retórica dos oradores de numerosos eventos públicos que realizam-se quase que diariamente em todos os países da América Latina.

 

Pedro Belasco

Latino-Americana de Notícias.