A necessidade de avaliar os programas de C,T&I

Opinião / 12 Setembro 2017

Na medida em que houve um significativo aumento dos recursos públicos investidos na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, surgiu a necessidade de se avaliar o impacto dos programas apoiados. Afinal, é importante que a sociedade saiba o destino dos recursos provenientes de sua contribuição.

Por outro lado, as instituições acadêmicas passaram a utilizar metodologias comparativas que permitem avaliar, utilizando múltiplos critérios, o desempenho acadêmico de cada uma tanto na geração de conhecimento novo, missão fundamental das universidades, aliada à formação de recursos humanos em todos os níveis, como de ideias inovadoras que, por sua possível aplicação comercial, podem e devem ser protegidas por patentes.

 

Resultados aparecem nas ações da

Embrapa, da Embraer e da Petrobras

 

Neste campo cabe sempre lembrar que a geração de patentes não é papel precípuo da Universidade, mas nada impede, e muitas vezes é benéfico, que resultados potencialmente interessantes do ponto de vista comercial gerem patentes, novos processos e produtos, que levem ao surgimento de startups, spin off e pequenas empresas que venham a povoar as incubadoras de empresas e parques tecnológicos.

Por último, surgiu também a necessidade de se avaliar os grupos de pesquisa bem como cada pesquisador individualmente, que são os objetos centrais do financiamento público da pesquisa científica.

Neste caso, tem-se utilizado parâmetros como (a) número de artigos publicados, (b) impacto das revistas onde os artigos são publicados, (c) impacto da contribuição na área de atuação do pesquisador avaliada pelo índice de citação dos artigos publicados, (d) índice H, (e) ingresso em academias nacionais de Ciência, (f) convites para conferências plenárias e participação de mesas redondas, (f) participação no corpo editorial de revistas importantes, entre outros.

No campo da Ciência Aplicada e da inovação, é importante considerar o número de patentes registradas no país e no exterior e, sobretudo, os produtos e processos inovadores que chegam ao mercando e geram impacto econômico e social. Há hoje consenso de que uma avaliação adequada requer a utilização de todos os indicadores mencionados acima e devidamente relativizados para cada subárea do conhecimento.

Há hoje consenso no sentido de que é cada vez mais importante avaliar todas as atividades que são financiadas com recursos públicos, como também é fundamental aperfeiçoarmos as metodologias de avaliação existentes. O setor privado também faz sua avaliação, considerando principalmente o resultado final, traduzido por novos produtos e processos que chegam ao mercado e permitem recuperar, com boa margem de lucro, o investimento feito.

Foi no contexto explicitado acima ao comemorar seus 50 anos de existência que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), se associou à Academia Brasileira de Ciências e, juntas, promoveram nos dias 28-29 de agosto último um Seminário Internacional sobre a Promoção, Desenvolvimento, Apoio e Avaliação do Processo de Inovação.

Pesquisadores e autoridades que atuam em instituições nacionais e internacionais nesta área expuseram suas ideias e metodologias. Instituições importantes do exterior, como a National Science Foundation dos Estados Unidos, o Maastricht Economical and Social Research Institute on Innovation Technology da Holanda, o Ministry of Small Enterprises da Coreia do Sul, Stanford University dos Estados Unidosl, Google, entre outras, juntaram-se às principais agências de fomento no Brasil bem como vários empresários brasileiros oriundos do mundo acadêmico.

Encontros como este são fundamentais para que o país avance no sentido de mensurar os impactos que surgem do financiamento ainda incipiente, mas cujos resultados de impacto já podem ser mensurados em diversas áreas, entre as quais destacamos a agropecuária (resultado das ações da Embrapa e de uma rede de universidades que atuam no setor), na aviação (fruto do trabalho da Embraer e instituições que com ela interagem), na produção de petróleo em águas profundas e no pré-sal (ação da Petrobras em conjunto com uma rede de instituições científicas), entre outros exemplos.

  Wanderley de Souza

  Professor titular da UFRJ e diretor da Finep, é membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina.