A morte do coelho gigante

Empresa-Cidadã / 09 Maio 2017

No Rio de Janeiro, adeptos do futebol, há muito, dizem que há coisas que só acontecem ao Botafogo. E, ao que parece, com a United Airlines também. Com apenas dez meses e 90 centímetros de comprimento, o coelho Simon era a promessa de um novo recorde mundial. Seu pai, Darius, detém o recorde de maior coelho do mundo, com 1,32 metro. Mas, precocemente, Simon morreu em um voo entre Londres e Chicago, a bordo de um Boeing 767, da United Airlines (UA).

 

Ainda não se sabe com certeza o que aconteceu. Se o coelho morreu em consequência de hipotermia no porão da aeronave, ou se foi o stress da viagem, ou ainda se foi praga de chinês. Sua criadora assegurou que Simon estava bem de saúde e que fora examinado por veterinários, poucas horas antes de viajar. O atarefado porta-voz da empresa, Kevin Johnston, assegurou que a segurança e o bem-estar dos animais transportados pela United Airlines representam questão de importância extrema para a companhia.

 

Infelizmente, Simon não foi um caso isolado. Em 2016, 35 animais que eram transportados por companhias aéreas dos EUA morreram durante os voos. Destes, 14 a bordo da United Airlines. Depois da agressão ao médico chinês por seguranças da empresa, para retirá-lo à força, em nome da sua política de overbooking, parece que, na UA, tem gente que não quer mesmo fazer do seu CEO, Oscar Munõz, o próximo presidente...

 

Depois da agressão ao médico chinês David Dao, a UA anunciou, no finalzinho de abril, a sua nova política de overbooking em dez itens: “1) Limitar o uso de policiais somente para questões relativas à segurança; 2) Não pedir para que passageiros já embarcados saiam da aeronave involuntariamente, a menos que haja risco à segurança; 3) Aumentar a compensação da recusa de embarque para até US$ 10.000; 4) Estabelecer uma equipe de soluções para passageiros, que vai oferecer aos agentes da empresa soluções criativas tais como o uso de aeroportos próximos, o embarque em outra cia aérea ou transporte em terra para que os passageiros cheguem ao seu destino final; 5) Certificar que as tripulações tenham reservas em voos com, pelo menos, 60 minutos antes da partida; 6) Oferecer treinamento anual adicional; 7) Criar um sistema automático para pedir que voluntários alterem seus planos de viagem; 8) Reduzir a quantidade de overbooking; 9) Dar poderes para os funcionários resolverem problemas com passageiros no momento de sua ocorrência; e 10) Eliminar a burocracia ao adotar a política de 'no questions asked' para as bagagens perdidas”.

 

Ato de apoio à Uerj

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), diante da situação que vem sendo imposta pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro à própria Uerj, à Universidade do Norte Fluminense (Uenf) e à Universidade da Zona Oeste (Uezo), vem merecendo o apoio de diferentes instituições relacionadas à ciência e tecnologia. Lembramos aqui do ato da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais e Ensino Superior (Andifes), reunida no dia 20 de fevereiro, na Casa da Ciência da UFRJ, no Rio de Janeiro (RJ), a fim de tratar das graves questões que envolvem a universidade pública e políticas do ensino superior e debater a questão econômica do país. A reunião foi também um ato de desagravo em relação à ação do MPF contra o reitor da UFRJ e a estudante Thais Zacharia, ex-presidente do Centro Acadêmico de Engenharia da Universidade.

Na segunda-feira (20), foi realizado um seminário com as mesas “As Prerrogativas da Autonomia Universitária” e “Brasil, Conjuntura e Perspectivas”. Após a conclusão do seminário, no próprio dia 20, reitores e diretores encaminharam-se para o campus Francisco Negrão de Lima, da Uerj, no bairro do Maracanã, onde promoveram um ato de apoio às universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uerj, Uezo e Uenf), que têm suportado a duras penas a crise financeira do estado com atrasos sistemáticos no pagamento de salários e bolsas acadêmicas, nos serviços essenciais de manutenç ão de elevadores, segurança e limpeza, o que respondeu por seguidos adiamentos na abertura do período letivo. No ato, foi reiterado o cenário de desmonte que vem sendo promovido pelo governo do estado e, como isso é negativo para estudantes, servidores, professores e pesquisadores.

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, ressaltou que o ato unificando universidades federais e as universidades estaduais do Rio de Janeiro tem um peso político e acadêmico enorme, já que demonstra a necessidade de assegurar a autonomia universitária. Segundo ele, a universidade, para planejar o futuro, não pode estar atrelada a humores de governos, porque se trata de um projeto de longo prazo. A universidade é formadora e produtora de conhecimento o que precisa de tempo para amadurecer, assegura ele.