A fala do ministro Guedes e o Turismo

Por Bayard Do Coutto Boiteux.

Opinião / 16:18 - 14 de fev de 2020

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Temos vivido nos últimos meses situações difíceis para o turismo, em função de declarações equivocadas e indelicadas por parte de autoridades constituídas e que deveriam avaliar melhor seus pronunciamentos. A atividade turística demanda conhecimentos básicos de seus preceitos e de sua história. Sempre que fizermos alusão à mesma, devemos pensar que a construção da imagem do Brasil se faz no dia a dia das politicas públicas e da forma como atuamos no mundo das relações internacionais.

O Itamaraty, que é um orgulho para o Brasil, sempre atuou com muita cautela, em tom moderador, que cabe aos diplomatas formados pelo Instituto Rio Branco, mas com firmeza nos posicionamentos, levando em consideração a necessidade de mostrar ao mundo nossa posição de diversidade, de entendimento das diferenças culturais, econômicas, de respeito aos direitos humanos, da liberdade, entre outros.

 

Pronunciamento de uma alta autoridade

econômica pode trazer efeitos negativos

 

A “fala” do ministro Guedes no tocante ao dólar, que se encontra num patamar muito alto, trouxe algumas imprecisões, que acredito devam ser esclarecidas dentro da ótica do Turismo. Em primeiro lugar, uma parte da cadeia produtiva do Turismo, formada por operadores de exportativo, estão hoje sentindo um decréscimo nas viagens internacionais, agravada pelo coronavírus.

Assim, a alta do dólar, que trouxe estragos, obrigando mais uma vez o Banco Central a intervir, também nos mostra que pronunciamento de uma alta autoridade econômica pode trazer efeitos negativos. Por outro lado, é necessário esclarecer que as viagens dentro do Brasil, que devem ser incentivadas, muitas vezes são impossíveis por força de tarifas aéreas internas, que estão entre as mais caras do mundo, levando os brasileiros a optarem por destinos internacionais.

É salutar lembrar que as pessoas viajam para onde desejam, independente de suas profissões, algumas com muita dignidade e salários nem sempre tão atrativos, como as empregadas domésticas. Nos últimos anos, houve uma democratização do acesso ao turismo, que levou brasileiros a viajarem pela primeira vez para o exterior, trazendo novas experiências enriquecedoras para parte da população, como ocorreu com o acesso de novas camadas de estudantes ao Ensino Superior. Tal fato correu, é verdade, com um dólar mais baixo, mas também com novas modalidades de hospedagem e pacotes diferenciados e de certa forma inovadores.

A alta do dólar beneficia de certa forma o turismo receptivo, hoje estagnado em nosso país por falta de incentivo e politicas de promoção, que aqui entre nós deveriam ser mais bem dimensionadas pela Embratur. Parece-me que o ministro deveria ter citado tal segmento como beneficiário de tal câmbio, já que o Brasil não é hoje um produto tão competitivo no mercado internacional.

O Turismo é um segmento importante da Economia, que se baseia em estatísticas, no Código de Ética Mundial do Turismo e no lazer, preconizado em nossa Constituição Federal, voltado para todos brasileiros, independente de suas profissões, opções sexuais, religiosas ou mesmo politicas. Vamos tratar o mesmo com relevância e respeito, palavra hoje esquecida por muitos em redes sociais e na politica nacional.

Bayard Do Coutto Boiteux

Professor, pesquisador, escritor, consultor, é vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e superintendente-executivo do Instituto Preservale (bayardboiteux.com.br)

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