A dois dias de referendo, britânicos estão divididos entre ficar ou sair da UE

Internacional / 09:51 - 21 de jun de 2016

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Depois de amanhã (quinta-feira, 23), os britânicos vão às urnas votar no referendo "Brexit", que vai decidir se o Reino Unido permanece ou não na União Europeia. O resultado deve ser divulgados nas primeiras horas do dia seguinte. O nome "Brexit" faz referência ao termo exit (saída, em inglês) e as iniciais de Britain (Grã-Bretanha). Há tão pouco tempo do referendo, a disputa entre os que querem que o país fique e os que que querem deixar a UE é acirrada. Pesquisas de opinião que estão sendo feitas no país apresentam resultados controversos. De acordo com uma sondagem realizada pelo site britânico YouGov, 42% dos entrevistados querem permanecer no bloco europeu, enquanto 44% apoiam a saída da UE. Outro estudo de opinião, da agência Survation, mostra tendência inversa: 45% dos entrevistados são a favor de permanecer no bloco, contra 44% dos que defendem a saída. Os demais estão indecisos. No último domingo (19), foram publicados os resultados de uma pesquisa encomendada pelo jornal The Independent. De acordo com o periódico, 44% dos entrevistados disseram que ficariam "muito satisfeitos" com a saída da UE, enquanto apenas 28% afirmaram sentir o mesmo sobre permanecer na UE. Em fevereiro, quando anunciou o referendo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmou que a posição oficial do governo britânico será defender a continuidade do país numa Europa reformulada. Para alguns analistas, o assassinato da deputada Jo Cox, defensora dos direitos dos migrantes e refugiados e da permanência do Reino Unido na União Europeia, pode contribuir para aumentar o apoio à permanecia do país na UE. Ela foi assassinada na quinta-feira da semana passada, a tiros e facadas, por um nacionalista xenófobo com supostas ligações a grupos neonazistas em Birstall, no Norte de Inglaterra. O discurso contra políticas de acolhimento a refugiados tem sido usado frequentemente para engrossar o coro dos que pretendem deixar a UE. Tanto que Nigel Farage, líder do partido anti-imigração UKIP e um dos grandes defensores do "Brexit", se viu envolvido em uma polêmica após utilizar uma fotografia de imigrantes em sua campanha. Diversas pessoas, através das redes sociais, apontaram as semelhanças entre a fotografia escolhida por Farage e uma imagem de propaganda nazista divulgada em um documentário da BBC. Já do lado dos que defendem a permanência na União Europeia, os discursos focam o impacto econômico de uma eventual saída do bloco, lembrando que, após a decisão, não há como voltar atrás. David Cameron e o seu ministro das Finanças, George Osborne, reforçaram os alertas. A saída de um país da UE está prevista no Artigo 50º do Tratado de Lisboa, de 2009, que afirma que "qualquer Estado-Membro pode decidir, em conformidade com as respectivas normas constitucionais, retirar-se da União Europeia". George Soros, investidor húngaro nacionalizado americano que fez fortuna investindo contra a libra esterlina nos anos 1990, afirmou hoje, para o jornal "The Guardian", que uma eventual saída do bloco europeu terá "sérias consequências" para o emprego e para as finanças do país. Ele afirmou que caso a saída do bloco vença, a libra deve cair vertiginosamente, uma queda de pelo menos 15% mas que poderá ultrapassar os 20%, ficando abaixo dos US$ 1,15 contra os atuais US$ 1,46. "Um voto a favor do 'Brexit' faria algumas pessoas muito ricas, mas a maioria dos eleitores ficaria consideravelmente mais pobre. Eu quero que as pessoas saibam quais são as consequências de sair da UE antes de votar, e não depois. Sair da UE não só afetaria o preço da moeda britânica como teria igualmente um impacto imediato e dramático nos mercados financeiros, no investimento, nos preços e nos empregos", afirma Soros. A campanha Vote Leave, que defende a saída da União Europeia, afirma em seu site que, desde 1973, o Reino Unido já gastou meio trilhão de libras com a UE; que 250 mil migrantes da UE vão para lá anualmente; e que isto sobrecarrega os serviços públicos de saúde e educação. Em Portugal, a saída do Reino Unido é vista com preocupação por muitos analistas. Há o temor de que o turismo britânico no país diminua, caso a libra se desvalorize, o que tornaria as viagens ao exterior mais caras. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os britânicos lideraram o turismo em Portugal em abril deste ano. Um estudo da fundação alemã Bertelsmann sobre a opinião dos europeus acerca do "Brexit" revela que apenas 20% dos europeus estão a favor da saída do Reino Unido do bloco. Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados desejam que o país continue membro da UE. Agência Brasil

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