A dimensão internacional do narcotráfico

Opinião / 13:49 - 27 de out de 2000

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Cada dia que passa se descobre mais sobre o comércio ilegal de narcóticos. As últimas informações que nos chegam, revelam a existência de uma rede internacional das mais poderosas já com a presença, ou talvez mesmo comando, das grandes mafias italianas e russas. O negócio envolve bilhões de dólares e já há quem estime que o comércio ilegal de drogas represente, hoje, 5% do valor financeiro de todo o comércio internacional. Há enormes suspeitas de que o centro operacional deste comércio ilícito e condenável esteja se instalando na Sicília, onde as organizações mafiosas enfrentam desabusadamente as autoridades da justiça e da polícia italianas. Sabe-se que apesar do êxito da "Operação Mãos Limpas", desencadeada há cerca de 10 anos pelo governo de Roma, de combate à corrupção promovida principalmente pelas máfias sicilianas, os resultados alcançados na "ilha dos mafiosos" foi frustrante. Ali, criminosos ligados à máfia, condenados pela justiça, circulam livremente, sem serem incomodados. Informações já veiculadas pela imprensa internacional revelam que duas grandes máfias internacionais, italiana e russa, realizaram gigantesca operação de transferência da Colômbia para o vale do Orinoco, na Venezuela, de imensos depósitos de cocaína puríssima destinada à exportação. Diante da ameaça de perseguição pela Operação Colômbia, baseada no acordo firmado entre os governos de Bogotá e de Washington, destinado a erradicar do território colombiano o cultivo da coca, o refino e tráfico da cocaína e outros alucinógenos, as máfias internacionais interessadas no comércio estão se precavendo, tentando salvar o seu produto acabado. Como se vê, estamos diante de um problema que assumiu dimensões muito além de um simples comércio ilícito entre produtores e consumidores. O vulto financeiro do negócio e os lucros excepcionais que oferece arrastaram para o comércio criminoso de drogas, o interesse de intermediação de poderosas máfias internacionais, conhecidas pelo poder de corrupção que exercem sobre autoridades da justiça e policiais. No dizer de um reconhecido especialista no assunto narcotráfico, a questão extravasou de muito dos limites de um problema cuja solução se situe na Colômbia. Todos nós somos interessados em combater o narcotráfico, uma tragédia que se abate sobre a nossa sociedade, portadora de desagregação moral e estimuladora de alienação mental e de hedionda criminalidade. Estamos todos dispostos a combater este cancro social. A questão impõe uma cooperação internacional. Não podemos, entretanto, aceitar estratégias que ameaçam os dois valores maiores da nacionalidade - nossa soberania e a inviolabilidade de nosso território. Na recente conferência dos Ministros da Defesa em Manaus, deixamos clara a nossa posição. Estamos prontos à cooperação internacional, respeitada a nossa soberania. Carlos de Meira Mattos General Reformado do Exército e Conselheiro da ESG.

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