A decepção da globalização econômica

Internacional / 19 maio 2017

Zurique – A globalização da economia em sequência com a abertura comercial foi um fenômeno que, sem sombra de dúvida, afetou a vida das populações em termos globais, embora tem sido uma tendência global mais ampla em regiões tradicionalmente atingidas pelos desequilíbrios econômicos.

Contudo, o fenômeno da globalização tem proporcionado a criação de processos para ajustes econômicos estruturais e consequente redução de tamanho de Estados, descentalizações parciais, assim como privatizações de empresas estatais, empresas de utilidade pública e grandes obras de infraestrutura.

Na América Latina, Caribe e Sudeste Asiático,

seus efeitos foram catastróficos

Entretanto, seus resultados não podem ser considerados absolutamente idênticos em todas as regiões em que foi adotada. Não foi uma panaceia para todos os males. Na América Latina, Caribe e Sudeste Asiático, seus efeitos foram catastróficos.

Também, o panorama nos EUA, Rússia e nos países ex-membros do Pacto de Varsóvia foi, praticamente, idêntico. Todos estes, em graus variados, tiveram maior possibilidade de integrar-se aos circuitos comerciais que aceleraram a globalização, algo inexplicável, tanto pela dimensão, quanto pelo grau de seu desenvolvimento.

Por esta razão, os maiores desafios de crescimento durante a globalização não foram as concentrações demográficas, mas as regiões que exerceram demandas crescentes sobre os fatores urbanos que envolveram aspectos de índole variada, mais e melhores espaços para viver, maior cobertura, qualidade e segurança dos serviços públicos, maior número de espaços para os setores de indústria e comércio e ampliação da viabilidade urbana para garantir espaço crescente do nível de circulação motorizada e melhores condições ambientais.

A globalização da economia exigiu novos e maiores desafios, especialmente, aqueles de maior envergadura que sem perder seu protagonismo nacional e sua base econômica local tentaram integrar-se mais ativamente aos circuitos de comércio internacional.

 

Projeto estratégico

 

Contudo, apesar de a glocalização econômica ter oferecido uma série de aparentes vantagens e oportunidades, exigiu novos desafios na equidade entre as cidades, regiões e países na distribuição dos benefícios de aparente crescimento e absorção produtiva da mão de obra disponível.

É necessário considerar que o maior número de agrupamentos de pobreza absoluta concentra-se, especialmente, em cidades de maior envergadura, em torno de 40% da população urbana de região que sobrevive abaixo da linha de pobreza e 20% em situação de indigência.

Também, uma grande proporção de regiões em situação de pobreza localiza-se em um contexto geral com baixos níveis de desemprego aberto, embora os desafios de crescimento registraram esforços sérios de melhoramento de produtividade do trabalho e criação de ocupações mais produtivas.

A globalização da economia e o papel crescente que lhe cabe interpretar nas relações internacionais e no intercâmbio comercial constituem uma nova e aparente instância. São poucos, muito poucos, os que advogam ainda para frear o crescimento das cidades, enfatizando os males que os afetam, pois já está comprovado que há nelas um grande potencial para o progresso do homem em termos individuais e coletivos.

O caminho não é fácil por precisar de uma liderança pública e um processo político que possa conseguir esforços e vontades em torno de um projeto comum, em torno de um projeto estratégico que possa definir princípios, papéis, prioridades de ação e regras de convivência.

A globalização econômica e o papel que foi lhe atribuído nas relações internacionais e no intercâmbio comercial constituíram uma decepcionante instância para países, governos e cidadãos.

 

Laura Britt

Sucursal da União Europeia da Latino-americana de Notícias.