A crise econômica exige ação

Sem categoria, Sem categoria / 19:00 - 1 de abr de 2017

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A divulgação do PIB 2016 mostrou o Brasil como um país de economia arrasada. Caímos 3,6% em produção num ano em que o mundo todo cresceu. A recessão – dizem os técnicos – é a maior desde 1948, ano do pós-guerra, quando ainda vivíamos o racionamento até de alimentos, em que o IBGE começou a medir a produção nacional.

A derrocada vem desde o segundo trimestre de 2014 e as planilhas dizem que de lá até agora encolhemos 9%, com a economia nacional retrocedendo ao tamanho de 2010, mas com os problemas do tamanho de 2017. Esses números desastrosos justificam a existência dos 13 milhões de desempregados oficialmente apurados e de outros indicadores negativos, como a violência em alta.

Com o devido incentivo, país pode se aquecer rapidamente

Pior é que, com a economia em frangalhos, o governo elegeu como prioridades o estabelecimento do teto dos próprios gastos e a reforma da previdência, que luta para aprovar no Congresso aliado mesmo à revelia do que pensa a sociedade. Não se vê medidas arrojadas para aquecer a economia e, principalmente, reconquistar a confiança do investidor.

Atribui-se a derrocada à má política econômica desenvolvida pelos governos petistas. Mas não se pode ignorar que o PMDB, partido do presidente, e outras agremiações que hoje compõem o governo, foram os principais aliados de Lula e Dilma nos seus 13 anos de mandato. Com nove meses no governo, entre interinidade e efetividade, não se justifica mais o presidente Michel Temer e sua equipe continuarem culpando o desastre petista, assistindo a Lava Jato como protagonista desse novo tempo e apenas tentando reformar o governo por dentro.

É preciso atacar a política econômica e desenvolvimentista e trazer o capital de volta para trabalhar no Brasil com a perspectiva de bons resultados. Se reativar a economia, atenderá via produção as dificuldades do povo e terá mais tempo para preparar as reformas estruturais que agora tenta. Poderá fazê-las ou deixá-las preparadas para o sucessor.

Em vez de gastar seus cartuchos para reformar a Previdência que, na linguagem oficial, poderá quebrar em alguns anos, é preciso o governo utilizar o tempo para socorrer a economia que já quebrou mas, com o devido incentivo, pode se aquecer rapidamente. Quanto à Previdência, antes de meter a mão nos direitos dos trabalhadores que um dia terão que se aposentar, é preciso cobrar os devedores do sistema, eliminar privilégios e cortar gorduras.

O presidente ainda há de compreender que de nada adiantará cortar gastos ou fazer o povo trabalhar até a morte se não consertar a economia do país, pois aí está a pedra de toque. Sem a economia em ordem, todo o restante perecerá, inclusive a sua possibilidade do governante terminar a sua carreira como um verdadeiro estadista.

Por fim, o governante de plantão precisa ter a grandeza de pensar mais no Brasil do que nas próximas eleições. Se recolocar o Brasil para produzir e progredir, terá cumprido a missão que a história e as circunstâncias lhe reservaram. Se pensar apenas em proteger seus companheiros e fazer o sucessor, poderá acontecer de não ter o que governar.

Dirceu Cardoso Gonçalves

Tenente PM, é dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

aspomilpm@terra.com.br

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