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‘O Povo Feliz de Novo’ ou ‘O Caminho da Prosperidade’

A coligação “O Povo Feliz de Novo” (PT, PCdoB e Pros), que tem Fernando Haddad, presidente, e Manuela D’Ávila,...

Opinião / 18 Outubro 2018

A coligação “O Povo Feliz de Novo” (PT, PCdoB e Pros), que tem Fernando Haddad, presidente, e Manuela D’Ávila, vice-presidente, elaborou uma plataforma de governo de 61 páginas. Nelas, são descritas ações que pretendem implementar, se eleitos no dia 28 de outubro.

O projeto, na realidade, é calcado no desejo de defender o Plano de Governo pensado por Lula, o ex-presidente presidiário, e pelas forças sociais e políticas que o apoiam. O documento propõe uma verdadeira refundação democrática do Brasil para recuperar a soberania nacional e popular, atingidas, segundo afirma, duramente a partir do golpe de 2016.

 

Dois projetos de país disputam

a preferência popular no 2º turno

 

Defende também um projeto nacional de desenvolvimento que enfrente a crise social e econômica que massacra o povo e um novo período histórico de afirmação de direitos dos trabalhadores das cidades, dos campos e das florestas, das mulheres, das juventudes, de negros, negras, indígenas, LGBTIs, espalhados pelas várias regiões desse país tão rico em diversidade.

Ler o documento precisa ter estômago, pois reúne uma série de inverdades e milhares de deturpações textuais. É até patético citar as crises social, política e econômica e afirmar que essa candidatura tem condições de vencê-las. Como? Se foram justamente os governos Lula-poste Dilma que atolaram o Brasil no lamaçal em que se encontra, com quase 14 milhões de desempregados.

Mais adiante, está escrito “o povo brasileiro sabe da nossa capacidade de conduzir o Brasil como ocorreu com a liderança de Lula durante as crises de 2003 e 2008, por exemplo. Liderança essa que levou o país a um novo patamar no concerto das Nações, fazendo-se respeitar nacional e internacionalmente pelos resultados obtidos na luta pela paz e contra a fome, na geração de empregos, na criação de políticas inovadoras promotoras de igualdade”.

Ora, leitores, o Brasil hoje é conhecido e reconhecido como um dos países mais corruptos do Mundo, sendo a Operação Lava Jato e seus personagens alvo de chacotas internacionais. O que Obama certa vez disse se referindo ao Lula, ele tinha razão. “Ele é o cara”. O cara da corrupção, da quadrilha, do crime organizado, do desmantelamento do Estado e do desrespeito ao povo brasileiro.

O cinismo é tão grande e desconcertante que alguns parágrafos mencionam falácias, tais como “o povo tem pressa de voltar a viver com a certeza do trabalho, do salário e da proteção da lei”. De fato, a gente brasileira tem pressa e quer viver em um país sem essa corja de ladrões que se apoderou durante 13 anos do governo brasileiro e o usou como quintal das casas dos mandatários e seus discípulos.

Chega a ser constrangedor ler toda a plataforma dessa dupla aventureira. “Interromperemos as privatizações e a venda do patrimônio público, essencial ao nosso projeto de Nação soberana e indutora do desenvolvimento, e tomaremos iniciativas imediatas para recuperar as riquezas do pré-sal, o sistema de partilha e a capacidade de investimento da Petrobras e demais empresas do Estado”.

O PT quase acabou com a Petrobras, criou empresas de fachadas, distribuiu lotes nas estatais, controlou com mãos de ferro a corrupção, até que chegou o juiz Federal Sérgio Moro e começou a esmiuçar, a investigar e desbaratar os ladrões que viviam dentro ou nas imediações do Alvorada e do Planalto. Nunca se roubou tanto no Brasil.

Haddad compartilha o sonho de Lula, de um país justo dentro de suas fronteiras e soberano na sua relação com o mundo. “Nenhum país será grande se não pensar grande e se fizer respeitar”. E cadê o respeito? “Para reconquistar esse respeito, vamos interromper o caminho de a volta do Brasil ao vergonhoso Mapa da Fome do qual saímos nos governos Lula e Dilma e recuperar a política externa altiva e ativa”. É preciso dar emprego ao trabalhador, dar saúde, dar moradia, dar educação, dar segurança pública ao povo.

Para retomar o desenvolvimento da Nação, distribuir renda, riqueza e poder concentrados em poucas mãos e promover justiça social, o Brasil precisa caminhar firmemente para reformas estruturais na sua estrutura econômica, política e social”. Isso de fato é verdade, mas jamais acontecerá com um outro governo do PT, pois, indo de encontro a todas essas afirmações, os dois governos que aqui estiveram fizeram justamente o contrário do que agora querem pregar.

Já a plataforma do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, segue o plano de governo chamado de “O Caminho da Prosperidade”. O presidenciável propõe uma gestão “decente, diferente de tudo aquilo que nos jogou em uma crise ética, moral e fiscal. Um governo sem toma lá dá cá, sem acordos espúrios. Um governo formado por pessoas que tenham compromisso com o Brasil e com os brasileiros”.

A promessa é a de realizar um governo liberal democrata, tendo como prioridade a segurança, a saúde e a educação. O candidato do PSL também destaca que terá “tolerância zero com o crime, com a corrupção e com os privilégios”. O texto destaca ainda que o problema atual do Brasil é o legado deixado pela gestão do PT, que culminou no deficit primário R$ 139 bilhões em 2019. A meta é reduzir esse número para equilibrar as contas públicas e ao mesmo tempo “organizar e desaparelhar as estruturas federais”.

O presidenciável também promete reduzir o número de ministérios, considerado “ineficiente” e que não atende “os legítimos interesses da Nação”. O plano aponta que a grande quantidade de pastas tem apenas o intuito de promover um loteamento do Estado para atender demandas políticas.

Para a Saúde, o candidato do PSL promete melhorar o uso dos recursos na área. Uma das propostas é unificar o prontuário dos pacientes de maneira nacional, para que ele possa ser acessado por outros médicos de diferentes postos de atendimento ou hospitais em consultas futuras. Um dos campos será grau de satisfação do paciente. A medida iria reduzir os custos na área e permitir uma cobrança no desempenho dos profissionais de saúde.

Outra das ideias é realizar um credenciamento universal dos médicos, permitindo que toda força de trabalho da saúde possa “ser utilizada pelo SUS, garantindo acesso e evitando a judicialização. A intenção é permitir às pessoas maior poder de escolha, compartilhando esforços da área pública com o setor privado. Todo médico brasileiro poderá atender a qualquer plano de saúde”.

Bolsonaro planeja modernizar a educação e para isso, pretende expurgar a ideologia de Paulo Freire, utilizada atualmente. Ele planeja ainda alterar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e acabar com a aprovação automática. Outro foco será dado na questão de disciplina dos alunos na sala de aula.

No ensino superior, Bolsonaro planeja estimular o ensino do empreendedorismo em todos os cursos, para fazer com que o jovem possa sair “da faculdade pensando em como transformar o conhecimento obtido em produtos, negócios, riqueza e oportunidades”. As pesquisas em universidades também serão focadas na atuação com empresas, de modo que cada região do Brasil possa se concentrar em suas “vantagens comparativas”.

Na questão da segurança, o plano de governo de Bolsonaro apresenta dados de criminalidade no Brasil e em outros países e os compara com a liberação das armas de fogo, um dos principais pontos de sua campanha. Bolsonaro então propõe oito tópicos “para reduzir os homicídios, roubos, estupros e outros crimes”:

1 – Investir fortemente em equipamentos, tecnologia, inteligência e capacidade investigativa das forças policiais;

2 – Acabar com a progressão de penas e as saídas temporárias;

3 – Reduzir a maioridade penal para 16 anos;

4 – Reformular o Estatuto do Desarmamento para garantir o direito do cidadão à legítima defesa sua, de seus familiares, de sua propriedade e a de terceiros;

5 – Policiais precisam ter certeza que, no exercício de sua atividade profissional, serão protegidos por uma retaguarda jurídica. Garantida pelo Estado, através do excludente de ilicitude;

6 – Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro;

7 – Retirar da Constituição qualquer relativização da propriedade privada;

8 – Redirecionamento da política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência.

O plano de governo do candidato na área econômica deixa claro que sua prioridade será “gerar crescimento, oportunidades e emprego, retirando enormes contingentes da população da situação precária na qual se encontram”. Para alcançar o resultado, estabelece como foco o controle fiscal, se afastando de políticas populistas, e o controle da inflação. Uma das propostas é a de dividir a área econômica em duas, o Ministério da Economia e o Banco Central atuando de forma independente.

O documento também destaca um plano de privatizações de empresas públicas. Os recursos arrecadados deverão ser utilizados para a redução da dívida pública brasileira.

Na questão da Previdência, defende a adoção de um modelo de capitalização, funcionando em paralelo com o atual, que será reformado. Apresenta ainda uma unificação de tributos, que também serão simplificados. Com a medida, o candidato planeja trabalhar pela redução de impostos no futuro.

Outro destaque será a criação de uma nova carteira nas cores verde e amarela. Ela será voluntária para todos os trabalhadores e permitirá a “todo jovem que ingresse no mercado de trabalho escolher entre um vínculo empregatício baseado na carteira de trabalho tradicional (azul) – mantendo o ordenamento jurídico atual – ou uma carteira de trabalho verde e amarela (onde o contrato individual prevalece sobre a CLT, mantendo todos os direitos constitucionais).

E, assim, estamos a uma semana das eleições, que decidirão quem governará o Brasil, nos próximos quatro anos. Escolher entre os dois candidatos não é uma tarefa das mais fáceis, pois de um lado um esquerdista e do outro, um direitista. A terceira via, proposta por Ciro Gomes, poderia ser a alternativa para um cenário tão sombrio, mas a decisão soberana popular não permitiu que o cearense chegasse ao segundo turno.

Dessa forma, estamos entre a cruz e a espada. Uma coisa, porém, é certa: escolher um governo do PT é dar continuidade ao descalabro vivido no Brasil, nos últimos 13 anos. E ninguém aguenta mais viver sob o julgo desse povo mentiroso, corrupto, falastrão, dissimulado e que afundou o Brasil na sua maior e mais devastadora crise republicana.

Assim, de forma consciente e confiante em dias melhores, teremos de ir às urnas. Conscientes do nosso papel. Mudar é preciso e reacender o patriotismo é uma obrigação de todos nós. Que as cores verde e amarela inundem os lares do povo e o coração de sua gente e que essas sejam as cores que nortearão a nossa caminhada daqui para frente. Basta de tanta impunidade e de tanta enganação. Brasil, Ordem e Progresso.

 

 

Paulo Alonso

Jornalista e dirigente universitário.