"O Brasil está vivendo sua pior crise de imagem", diz professor

Política / 19 Maio 2017

"O Brasil está vivendo a pior crise de imagem pela qual o país já passou". Essa é a avaliação do professor de Marketing da Faculdade Mackenzie Rio, Alexandre Coelho, sobre o escândalo envolvendo políticos brasileiros nos últimos dias. De acordo com ele, vai ser necessário bastante tempo até que a situação se estabilize novamente e o país volte a passar credibilidade, principalmente, para os investidores estrangeiros.

Segundo o professor, o impacto do escândalo colocou em xeque a credibilidade do país e manchou a boa imagem que o Brasil havia passado para ao mundo depois de ter recebido dois grandes eventos esportivos como a Copa e as Olimpíadas.

- O país já viveu momentos complicados como na época da ditadura, por exemplo, mas o alcance da notícia era muito menor. Hoje em dia, com as redes sociais, o mundo é atualizado em tempo real sobre o que está acontecendo por aqui. Além disso, o escândalo atingiu diversos setores da economia brasileira. Todas as empresas que pensavam em investir no país estão agora aguardando os acontecimentos. Os problemas divulgados amplamente afastaram também turistas. Estamos vivendo um momento de espera até que sejam definidos os novos rumos do país.

 

Para diplomata chinês, situação política não afeta relações com o país

As mudanças na situação política brasileira não afetam as relações bilaterais e o desenvolvimento de uma cooperação pragmática com a China, disse hoje o diretor-geral do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhu Qingqiao.

Ele destacou que as estatais chinesas priorizam o investimento de longo prazo no Brasil e demais países latino-americanos e caribenhos.

- Quando temos uma cooperação com os países, como o Brasil, temos que ter uma visão de longo prazo e estratégica para desenvolver uma cooperação duradoura - afirmou o diplomata, em entrevista coletiva na sede da representação diplomática, em Pequim.

Segundo Zhu Qingqiao, as empresas chinesas, quando fazem investimentos, dão importância às potencialidades do mercado.

- Os problemas políticos e econômicos podem, no curto prazo, aumentar os riscos para a cooperação entre as empresas, mas, em geral, não vão causar significativas mudanças.

Para o representante do governo chinês, em momentos de crise, as empresas podem tomar medidas empreendedoras que tragam resultados favoráveis no longo prazo.

- Desde o ano passado, as empresas chinesas são muito ativas na aquisição de empresas brasileiras.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores chinês, o país asiático investiu US$ 10 bilhões no Brasil no ano passado, e o estoque acumulado de investimentos chega a US$ 30 bilhões. Os investimentos das empresas estatais chinesas no Brasil concentram-se na área de infraestrutura, sobretudo energia e transportes, e no setor agropecuário.

Zhu Qingqiao destacou que o Brasil representa um terço dos intercâmbios comerciais chineses na América Latina e no Caribe. Ele ressaltou a complementaridade das duas economias, pois a pauta exportadora do Brasil para a China concentra-se em commodities agrícolas, minerais e proteína animal. As exportações chinesas estão baseadas em produtos manufaturados.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços brasileiro, o intercâmbio comercial entre os dois países em 2016 foi de US$ 58,49 bilhões. As exportações do Brasil para a China totalizaram US$ 35,13 bilhões com um superávit brasileiro de US$ 11,76 bilhões.

 

População deve se manifestar nas ruas pedindo democracia e eleições, diz Paulo Rocha

"Se as lideranças políticas não conseguiram enfrentar as crises que se abateram sobre o Brasil, é o povo que detém o mandato soberano sobre a democracia", disse em Plenário, nesta sexta-feira, o senador Paulo Rocha (PT-BA). O senador observou que é responsabilidade do Congresso Nacional apontar soluções para os problemas do país, mas lembrou que é missão da população escolher quem deve governar. Para ele, os problemas somente serão resolvidos por meio do processo democrático.

 

Ao defender a mudança na Constituição Federal para permitir a realização de novas eleições diretas, Paulo Rocha ressaltou que as medidas são urgentes porque a economia nacional "está em frangalhos".

- A única salvação da pátria é o povo na rua exigindo democracia e eleições para escolha de um novo poder institucional, quer seja executivo, judiciário ou parlamentar.

 

Senador do PSD defende "grande concertação nacional" - Também em plenário, O senador José Medeiros (PSD-MT) defendeu uma "grande concertação nacional" que envolva Judiciário, Legislativo, Executivo e Ministério Público. Em pronunciamento no Plenário, o senador disse que esse acordo nacional é necessário porque o país está "pendurado na soleira do abismo".

O parlamentar lembrou um encontro de parlamentares com o então ministro Joaquim Levy, em 2015, em que o titular da Fazenda no governo Dilma Rousseff comparou a crise com uma onça, que pode devorar a presa a qualquer momento. Levy teria dito que, se nada fosse feito, a crise poderia acabar com o país.

O ruim dessa história, segundo Medeiros, é que a crise continuou. E, justamente no momento em que a economia tinha parado de cair, observou, "um abalo sísmico de tamanho gigantesco" sacudiu o país, referindo-se à delação envolvendo o presidente Michel Temer. Por isso, o senador afirmou que é preciso parar de discutir pessoas e começar a debater projetos.

- Não importa que tipo de pessoa nós sejamos, precisamos discutir saídas, senão daqui a pouco os partidos vão estar brigando por nada. Se nós virarmos uma Venezuela, os partidos vão estar brigando por coisa nenhuma. Vai ficar parecendo aquelas crianças que estão disputando um brinquedo, quebram o brinquedo, e daí a pouco ninguém vai brincar com nada - comparou.

 

Cristovam diz que encontro de Temer com empresário não foi decente

A atitude do presidente Michel Temer de receber o empresário Joesley Batista não foi inteligente nem decente, na opinião do senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Em discurso no Plenário nesta sexta-feira, o parlamentar lembrou que antigamente os políticos se relacionavam com os eleitores a cada quatro anos. Hoje, observou, é a cada quatro segundos.

- A política tem que mudar. Hoje toda relação é publica. Acabou a privacidade nas relações políticas, e isso é bom. O presidente parece que não entendeu isso. Precisamos retomar a decência e a inteligência, bem como a credibilidade da política - afirmou.

Sobre a possibilidade de eleições diretas para escolha de um novo presidente da República, como defendem alguns senadores, Cristovam Buarque alertou para o risco de um processo eleitoral num ambiente político e econômico tão conturbado.

- A eleição direta tem que ser discutida no interesse do país. Pode ser o melhor caminho para legitimidade, mas é um risco um processo eleitoral nessa situação. Imagina candidatos sob suspeitas debatendo simplesmente para ganhar voto e não para melhorar o Brasil. Como a gente blinda a economia nesse período?

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado