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...e o mundo não acabou

– A Queermuseu, Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, a controvertida exposição de arte, completou o seu ciclo no...

Empresa-Cidadã / 25 Setembro 2018

A Queermuseu, Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, a controvertida exposição de arte, completou o seu ciclo no Rio de Janeiro com grande sucesso, apesar de ter sido negligenciada por quem caberia apoiá-la, como foi o caso de um ex-ministro da Pesca que quis vê-la “no fundo do mar” (Coluna Empresa-Cidadã de 5 de setembro de 2018: “Os incendiários”). No último dia da mostra, foi preciso estender o horário de visitação de 17h para 22h, tamanha a frequência de público.

A Queermuseu, em sua primeira edição, na cidade de Porto Alegre, foi alvejada por segmentos obscurantistas, com acusações de promover zoofilia, pedofilia e blasfêmia. Ao fim do segundo dia de manifestações nas redes sociais, o Santander Cultural, patrocinador da mostra, cancelou-a, dizendo que “algumas obras desrespeitam símbolos, crenças e pessoas”, acusações recusadas pelo Ministério Público do RS, que recomendou a reabertura da mostra, recomendação não observada pelo Santander Cultural.

 

Marketing pode orientar a arte?

A atitude do Santander Cultural precipitou uma oportuna reflexão sobre limites do setor empresarial no patrocínio da arte, ou de que conceito de arte este setor pode realmente promover e se, patrocinando-o, presta um serviço ou se degenera a arte patrocinada, direcionando-a para o conforto e para o sucesso fácil.

No Rio de Janeiro, alternativamente, a mostra foi viabilizada por um financiamento coletivo que arrecadou mais de R$ 1 milhão, de cerca de 1.700 colaboradores, um recorde nacional, recebendo 34.659 visitantes, de 18 de agosto até 16 de setembro. Uma frequência de público equiparável à frequência de público das partidas de futebol, para alegria do curador Gaudêncio Fidelis. E o mundo não acabou por isso...

 

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

A Academia Brasileira de Cinema acaba de divulgar a lista com os filmes finalistas do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, edição 2018, uma importante referência da indústria cinematográfica nacional. Os contemplados foram Bingo, o Rei das Manhãs, de Daniel Rezende, com 15 indicações; A Glória e a Graça, de Flávio Tambellini, com dez indicações; e Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, com dez indicações.

Nesta edição, o certame reuniu 36 longas e 20 curtas nacionais, além de cinco longas estrangeiros, que concorreram ao Troféu Grande Otelo, em 25 categorias. A nova diretoria da Academia é composta por Jorge Peregrino (diretor presidente), Paulo Mendonça (diretor vice-presidente), Bárbara Paz (diretora secretária), Alexandre Duvivier (diretor financeiro) e Iafa Britz (diretora social).

Um dos destaques desta edição é o aumento do número de filmes na categoria Melhor Longa-metragem de Animação, com retrospecto de, no máximo, duas produções inscritas a cada edição. Pela primeira vez, serão cinco filmes concorrendo ao Troféu Grande Otelo, na modalidade. Com a indicação ao Oscar 2016 de O Menino e o Mundo, e de Alê Abreu, e com a homenagem que recebeu, em junho, no Festival de Annecy, na França, a animação brasileira voltou a ter grande visibilidade internacional.

Os finalistas do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro são escolhidos pelos sócios da Academia em votação sigilosa pela internet, apurada pela PwC, nas seguintes categorias: Melhor Longa-metragem, Ficção, Melhor Longa-metragem Documentário e Melhor Longa-metragem Estrangeiro. O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2018 é uma realização da Academia Brasileira de Cinema, em coprodução com a Kuarup Audiovisual. Tem patrocínio da TV Globo, patrocínio do Canal Brasil através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e patrocínio do BRDE/FSA-Ancine.

 

STF libera sátira política

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (21) liberar a sátira política através de veículos de comunicação e a manifestação de opiniões favoráveis ou desfavoráveis a políticos candidatos. Em 2009, a regra já tinha sido quebrada pelo próprio STF, ao julgar ação oferecida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

Nesta semana, o STF julgou o mérito e a maioria considerou que a proibição feria a liberdade de expressão. Votaram desta forma os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Celso dde Mello, Marco Aurelio Mello e Carmem Lúcia. A lei eleitoral previa a proibição de “trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação (...)”.

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br