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‘Avaliação paramétrica de valores referenciais’

Economês esconde arrocho do salário mínimo, que significa menos consumo e, consequentemente, menos produção.

Empresa-Cidadã / 16 Abril 2019 - 18:11

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Dialeto falado por economistas, o economês não é utilizado para revelar, mas sim para esconder o que não se sabe, ou que não se quer que outros saibam. “Avaliação paramétrica de valores referenciais” é como o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, denominou a previsão para o reajuste do salário mínimo conforme apareceu no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), divulgado na recente segunda-feira (15), pela equipe econômica do governo.

O açoite sobre aposentados e trabalhadores que dependem do salário mínimo (cerca de 45 milhões de brasileiras e brasileiros) está previsto nos seguintes parâmetros, conforme o projeto de LDO proposto: R$ 1.040 para 2020, de R$ 1082,00 para 2021 e de R$ 1123,00 para 2022. Atualmente, o salário mínimo está em R$ 998,00. Com isso, ficará abolida a utilização dos aumentos do salário mínimo acima da inflação, como instrumento da política distributiva, ocorrendo apenas o reajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPC).

 

Em nome de quê?

Com este valor de salário mínimo, o Ministério da Economia negligencia o uso deste instrumento da política econômica distributiva (time que vinha ganhando) em nome de uma “economia” de R$ 3 bilhões em 2020. Este gasto está baseado no seguinte ponto de vista. Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo implica um dispêndio agregado de R$ 300 milhões, lembrando-se de que nenhum benefício previdenciário pode ser inferior a um salário mínimo.

De 2004 a 2019, vigorou a prática de reajustar o salário mínimo pela inflação somada à variação do PIB, exceto em 2017 e 2018, por conta de uma diminuição do PIB nos anos anteriores. O aumento real acumulado do salário mínimo (acima da inflação), nestes anos, foi de 74,33%.

Apesar do expressivo aumento, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) propõe, para fevereiro de 2019, um salário mínimo mensal de R$ 4.052,65, para a sobrevivência digna de uma família de quatro pessoas. E quem acredita no cho-ro-rô da impossibilidade das empresas pagarem-no é só lembrar-se de que isto significaria mais renda em circulação, mais compras, mais vendas, mais impostos recolhidos, mais ensino, mais saúde, mais dignidade para o cidadão.

 

Mal (in)formado.

Presidente declara que “poucas Universidades têm pesquisa e, dessas poucas, grande parte está na iniciativa privada, como a Mackenzie em São Paulo, quando trata do grafeno.” O instituo norte-americano de pesquisas Clarivate Analitycs relacionou 214 mil pesquisas realizadas por Universidades brasileiras, nos últimos quatro anos. Das 50 Universidades mais produtivas na realização de pesquisas, 49 são públicas, apenas 1 não é pública (e não é a Mackenzie, apesar da importante pesquisa que realiza sobre o grafeno). Tecnicamente, não é pública nem privada, é confessional (PUC/Paraná). Fonte: https://bit.ly/2X881Vj

Tentar sabotar a ciência brasileira por desinformação é irresponsável. Por fake news é criminoso.

 

SBPC divulga manifesto

Carta de Sobral

Sob o Sol de Sobral: por uma educação básica de qualidade, pela ciência e pela democracia

O problema imaginado por minha mente foi solucionado pelo céu luminoso do Brasil” [Albert Einstein, 1925]

A SBPC e os participantes de sua Reunião Regional, realizada em Sobral entre os dias 27 e 30 de março, se manifestam firme e decididamente em defesa da educação pública de qualidade, da ciência e da democracia no país.

Comemoramos neste ano o centenário do eclipse solar de 1919, cujas observações, feitas em Sobral, foram decisivas para a confirmação da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, que alterou profundamente a ciência e a nossa visão do Universo. Deste município do Ceará, Terra da Luz – primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão...

...“A valorização efetiva do professor e sua formação adequada são fatores essenciais para a melhoria da educação básica. Outros fatores importantes são condições de trabalho adequadas, boa gestão escolar, avaliações criteriosas e mobilização da comunidade local em prol da educação. O ensino de ciências é fundamental para a formação de um cidadão no mundo contemporâneo. No momento em que ganham proeminência ideias obscurantistas e correntes anticientíficas, é essencial destacar a importância decisiva do conhecimento científico para as tomadas de decis&atild e;o individuais e coletivas, para a gestão pública e para o desenvolvimento social e econômico do País.

O papel do Estado é essencial para a garantia dos direitos sociais dos brasileiros. A vinculação orçamentária de recursos para a educação e saúde foi uma importante conquista da Constituição de 1988, e a desvinculação desse orçamento, como anunciada recentemente, é uma ameaça muito grave e terá consequências catastróficas para a educação, a saúde e a qualidade de vida da imensa maioria dos brasileiros. Conclamamos todos os brasileiros a se unirem em um movimento amplo em defesa da educação pública de qualidade, laica, que respeite a diversidade e assegure direitos e oportunidades iguais para todas as crianças e jovens...

Por outro lado, os drásticos cortes realizados recentemente no orçamento de Ciência, Tecnologia e Inovação (da ordem de 40%), que já estava em nível muito baixo, colocam o Brasil na contramão da história. Os países desenvolvidos investem de maneira ainda mais acentuada em CT&I em momentos de crise econômica...

Recursos para educação e para ciência e tecnologia não são gastos, são investimentos do presente em um futuro melhor para o país!

Que o Sol luminoso do Brasil inspire e motive a todos nós na resolução dos problemas do País.

Sobral, 30 de março de 2019”

 

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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